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A Morte: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • transformação

  • largar

  • fim

  • novo começo

  • mudança

  • passagem

  • renovação

  • libertação

  • verdade

  • renascimento

  • partida do anterior

  • esclarecimento

  • coragem

  • aceitação

  • encerramento

  • clareza

  • separação

  • confiança

  • recuperação

  • liberdade

  • ciclo novo

  • maturidade

  • rutura

  • seguir em frente

  • limiar

Uma rosa branca sobre um estandarte negro

O pormenor mais importante desta carta é ao mesmo tempo um dos mais pequenos, e por isso a compreensão começa pelo estandarte. O cavaleiro leva sobre si um estandarte negro no qual se abre uma única rosa branca de cinco pétalas, luminosa e tranquila no meio de toda aquela negrura, e a rosa de cinco pétalas é além disso um sinal antigo da vida. Só depois se nota o próprio cavaleiro: um esqueleto com armadura negra, ereto sobre um cavalo branco. O cavalo avança a passo e não a galope, e esse ritmo pausado fixa o tom da carta inteira. Diante dele jaz no chão um rei cuja coroa rolou para o lado. Ao lado está de pé um bispo com vestidura clara e as mãos juntas, uma mulher jovem ajoelha-se e desvia o rosto, e uma criança permanece de joelhos com flores nas mãos. Atrás deles há um rio com um barco pequeno, e ao longe, entre duas torres, nasce o sol. Nada aqui parece violento, e é precisamente essa calma que torna esta carta mais difícil do que qualquer imagem ruidosa.

Quatro pessoas e quatro respostas

A chave está nessas quatro figuras, já que cada uma mostra o seu modo de lidar com o que chega. O rei resistiu e é o único que jaz no chão, e isso acontece ali onde o poder se confunde com a permanência. O bispo está de frente para o cavaleiro e apoia-se em algo maior do que ele próprio, e por isso permanece de pé sem ficar por isso isento. A mulher jovem ajoelha-se a meio e desvia o olhar, já que vê o que chega e ainda não é capaz de o olhar, e esta é a resposta mais comum de todas. A criança olha diretamente para o cavaleiro e estende-lhe umas flores, visto que ainda não aprendeu que aqui compete ter medo. Estas quatro respostas costumam estar presentes numa mesma pessoa e revezam-se dentro de uma mesma mudança. O cavalo branco, por seu lado, significa aquilo que não se deixa subornar nem entra em negociações, e o branco lê-se aqui não como pureza mas como ausência de toda cor, ou seja, como imparcialidade do que acontece.

O que termina realmente

A Morte quase nunca anuncia uma morte corporal, e convém dizê-lo antes de tudo. O que termina aqui são capítulos, papéis e imagens que uma pessoa leva sobre si própria. Foi o fiável, ou o filho que triunfou, ou o jovem promissor, ou aquele que nunca pede ajuda, e depois chega o dia em que essa descrição deixa de encaixar. Esses fins sentem-se reais, visto que algo se perde de verdade: o modo habitual de se explicar a si mesmo. As relações terminam do mesmo modo sem que ninguém se vá embora, já que morre a forma anterior do vínculo e é preciso encontrar outra. Aqui entram também uma mudança de profissão, uma mudança de casa, um diagnóstico e esse instante em que finalmente se abandona um projeto sustentado durante muito tempo. O cavaleiro nunca pergunta se o momento é adequado, e por isso esta carta raramente aparece como advertência e quase sempre como descrição de algo já começado.

Deixar de defender o terminado

O rei caído no chão mostra o erro mais caro desta carta. Resistir à mudança parece razoável ao princípio, já que ninguém se separa com ligeireza do que uma vez funcionou. Torna-se caro no momento em que a luta continua embora o desfecho esteja decidido há muito. Sustentar uma ordem que agoniza consome toda a energia e não deixa nada para o que chega. Essa situação costuma reconhecer-se pelas soluções provisórias que se tornam cada vez mais complicadas e duram cada vez menos. Denuncia-a também a fala: aumentam as conversas sobre o passado e escasseiam as que tratam da direção. Largar não significa aqui concordar com o que quer que seja mas reconhecer os factos. Durante umas duas semanas sente-se como uma derrota e depois transforma-se em alívio, já que a coroa rolou de qualquer maneira, e a passagem nota-se porque as conversas sobre como tudo era dão lugar a perguntas sobre o que fazer agora.

Luto sem calendário

Visto que a Morte trata de fins, o luto faz parte dela, e também nas mudanças escolhidas. Isto surpreende muitos, já que depois de uma decisão acertada se espera alívio e chega peso. Chegam juntos, visto que escolher algo significa sempre renunciar a tudo o resto. O luto não avança em linha reta: chega em ondas, e depois dos dias bons seguem-se dias duros sem causa visível. Ler isso como um recuo complica bastante o assunto, já que esse padrão resulta completamente habitual. Ajuda tudo o que acompanha o processo em vez de o acelerar: a conversa, uma rotina diária estável, o movimento, dormir o suficiente. Fixar um prazo para o superar resulta inútil. Resulta inútil também minimizar a perda, visto que o que se salta regressa num momento pior, e nomear em voz alta o perdido pelo menos uma vez ajuda, já que o que não se nomeia não se deixa chorar.

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A distância entre duas formas

Entre o fim e o começo seguinte estende-se um intervalo que a maior parte das interpretações salta. Nessa fresta as regras anteriores já não funcionam e as novas ainda não surgiram, e isso deixa uma sensação de vazio. Muitos enchem-na de imediato com o trabalho seguinte, a relação seguinte ou o projeto seguinte, transferindo assim o padrão anterior para dentro de uma casca nova. Quem suporta essa fresta durante um tempo começa a distinguir que partes da vida anterior lhe pertenciam realmente e quais eram hábito. Neste tempo convém não contrair compromissos permanentes e sim experimentar coisas fáceis de terminar. Convém manter estável a rotina diária, visto que uma estrutura externa torna mais suportável a passagem interna. O rio do fundo pertence justamente a esta parte da imagem, e o barco que nele há é pequeno e ainda assim está presente, de modo que a travessia aparece como possível ainda que não rápida.

O sol entre duas torres

Olhar o fundo desta carta muda tudo o que ela diz, visto que esse amanhecer inverte o seu sentido. Encontra-se no ponto mais distante da imagem, e isso corresponde exatamente à experiência, já que imaginar o que virá depois do fim resulta quase impossível durante o próprio fim. O decisivo é que o sol nasce e não se põe, e por isso a direção da Morte aponta para diante. As duas torres formam uma passagem que é preciso atravessar e não contornar. Quem passou por ela costuma dizer que depois se tornou menos medroso, visto que viu terminar algo essencial e ainda assim continuou. Não se trata de um consolo que possa aceitar-se de antemão mas de uma experiência que só se recolhe mais tarde. Convém notar que o sol nasce sem que ninguém na carta o olhe, ou seja, o amanhecer não é uma recompensa por bom comportamento mas acontece independentemente dos participantes da cena.

Três espécies de fins

Resulta útil separar os fins que esta carta abrange, visto que exigem coisas completamente distintas. O primeiro é o fim escolhido, quando a pessoa decide por si própria que algo terminou, e ali fazem falta determinação e um encerramento limpo. O segundo é o fim ocorrido: um despedimento, uma separação ou um diagnóstico, e ali a primeira tarefa é a estabilidade e a segunda, muito depois, o sentido. O terceiro é o fim atrasado, que sucedeu há tempo e nunca se pronunciou, e costuma ser o mais desgastante. No terceiro caso o trabalho não consiste em terminar algo mas em reconhecer o já terminado. Para determinar o caso coloca-se uma pergunta: se este assunto se começaria hoje de novo com o que agora se sabe. Uma resposta negativa repetida assinala o terceiro caso. E convém dizê-lo com clareza: se ao fim de semanas o sono e o apetite não se restabelecem, se nada desperta já interesse e aparece a sensação de que não há saída, isso excede o que esta carta descreve, e falar com um médico ou com um profissional resulta nessa situação um passo adequado e não um exagero.

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