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Significados dos Arcanos Maiores

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O que distingue estas vinte e duas cartas

Os Arcanos Maiores funcionam de maneira diferente das restantes cinquenta e seis e convém não os ler como cartas menores ampliadas. Enquanto as menores descrevem situações concretas dentro de um território definido, estas descrevem forças e etapas que atravessam qualquer área da vida. A mesma carta pode aparecer numa questão profissional, afetiva ou de saúde com o mesmo sentido de fundo, alterando apenas a manifestação. A sua presença numa tiragem indica que a questão excede o controlo imediato de quem pergunta, e essa indicação altera o tipo de conselho apropriado, porque sugerir medidas práticas perante forças de fundo produz frustração. Nesses casos, o conselho que serve dirige-se à postura a adotar e não às ações a executar, e essa mudança de registo é a informação mais útil que a presença destas cartas fornece. Uma tiragem sem nenhuma delas indica, pelo contrário, que a situação está ao alcance de quem pergunta. Essa é, na prática, uma boa notícia e não uma leitura menor.

A sequência como percurso

A ordem de zero a vinte e um não é arbitrária e lê-se como um trajeto reconhecível. O Louco parte sem garantias. O Mago dispõe de meios e o Sacerdotisa guarda o que não se diz. A Imperatriz produz abundância e o Imperador impõe ordem. O Hierofante transmite o herdado e os Enamorados exigem a primeira escolha pessoal. A Carruagem parte com determinação, a Força trabalha o que está dentro, o Eremita retira-se. A Roda introduz o que não depende de ninguém, a Justiça acerta contas, o Enforcado suspende. A Morte encerra, a Temperança mede, o Diabo prende, a Torre rompe. A Estrela devolve esperança, a Lua confunde, o Sol clarifica, o Julgamento chama e o Mundo fecha. Ler a sequência inteira de uma só vez, em voz alta, ensina mais sobre cada carta do que estudar oito delas isoladamente. O sentido de cada uma depende do que vem antes e do que vem depois. Dispor as vinte e duas por ordem sobre uma mesa torna isso visível de imediato.

Os três blocos de sete

Uma leitura clássica divide as vinte e uma cartas numeradas em três grupos de sete, deixando o Louco fora da contagem. O primeiro bloco, do Mago à Carruagem, trata da construção de capacidades no mundo exterior: vontade, intuição, abundância, ordem, aprendizagem, escolha e partida. O segundo, da Força ao Temperança, trata do trabalho interior e das forças que não se controlam. O terceiro, do Diabo ao Mundo, trata da transformação e do que se descobre depois de as estruturas anteriores cederem. Esta divisão ajuda a situar uma carta quando o seu significado escapa, porque o bloco a que pertence indica o tipo de tema em causa. A transição entre blocos é também informativa, já que a Carruagem fecha a construção exterior e a Força abre o trabalho interior sem qualquer aviso. A segunda transição, do Temperança para o Diabo, é ainda mais abrupta. O terceiro grupo é aquele em que as estruturas construídas nos dois primeiros são postas à prova.

As cartas que assustam

Quatro cartas geram receio desproporcionado e a maior parte desse receio vem de leituras superficiais. A Morte descreve fim e transformação e quase nunca aponta morte física, sendo uma das cartas em que o horizonte já clareia no próprio desenho. A Torre descreve uma rutura súbita que revela o que estava mal construído, e a rocha sob ela permanece intacta. O Diabo descreve dependência e não maldade, e as correntes desenhadas são largas o suficiente para passarem pela cabeça. A Lua descreve confusão temporária e caminho que existe apesar de mal iluminado. Nenhuma anuncia catástrofe inevitável. Convém acrescentar que, quando uma leitura toca sofrimento prolongado, saúde ou segurança, o passo correto é encaminhar para quem tem competência e não interpretar mais fundo. Nenhuma destas cartas justifica adiar uma consulta necessária. A rocha sob a Torre permanece intacta, e esse detalhe resume bem o grupo.

O Louco e o zero

O Louco ocupa uma posição singular que merece explicação. O zero não é um número entre os outros: precede a contagem e torna-a possível. Por isso esta carta lê-se tanto no início como no fim da sequência, e várias tradições colocam-na em cada um desses lugares. Quem sai do Mundo volta a ser o Louco, com a diferença de que o percurso já foi feito uma vez. Esta circularidade explica por que motivo a série não termina verdadeiramente, e é também a razão pela qual o Louco aparece frequentemente em leituras sobre recomeços que não são regressos ao ponto de partida. A diferença entre o primeiro e o último Louco não está na coragem mas no conteúdo do embrulho que leva ao ombro. Da primeira vez o embrulho nunca foi aberto. Da segunda, sabe-se exatamente o que lá está dentro.

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Como se manifestam numa tiragem

A proporção de cartas maiores numa disposição fornece informação imediata. Uma tiragem sem nenhuma trata de assuntos práticos e resolúveis dentro do alcance de quem pergunta. Uma tiragem com metade ou mais indica um período em que forças de fundo determinam mais do que as decisões diárias. Quando uma carta maior surge ao lado de uma menor, a relação tem direção habitual: a maior descreve a força e a menor descreve a forma concreta que ela assume. A Torre junto ao Cinco de Ouros manifesta-se como perda material; a mesma Torre junto ao Três de Espadas manifesta-se como notícia dolorosa. Esta leitura em dois níveis resolve muitas tiragens que à primeira vista parecem contraditórias. A carta maior dá a força e a menor dá a forma. A direção desta relação mantém-se estável em quase todas as tiragens.

As correspondências astrológicas

Cada Arcano Maior recebeu na tradição inglesa do século XIX uma correspondência planetária ou zodiacal, e convém conhecer a proveniência antes de a usar. O Mago recebe Mercúrio, a Sacerdotisa a Lua, a Imperatriz Vénus, o Imperador Carneiro, a Força Leão, a Justiça Balança, a Morte Escorpião, o Diabo Capricórnio, a Torre Marte, a Estrela Aquário, a Lua Peixes e o Sol o próprio Sol. Estas atribuições vêm da Golden Dawn e não da Antiguidade. São coerentes entre si e úteis como camada adicional, e não devem ser apresentadas como conhecimento antiquíssimo. A troca de posições entre a Força e a Justiça, feita por Waite por razões astrológicas, é o exemplo mais visível de como estas escolhas foram deliberadas. Leão precede Balança no zodíaco, e essa foi a justificação apresentada. A consequência é que a Força passa a seguir imediatamente a Carruagem.

Como estudá-los

Para este grupo, o método que funciona difere do usado nas cartas menores. Em vez de estudar uma por dia isoladamente, convém percorrer a sequência inteira várias vezes, porque o sentido de cada uma depende do que vem antes e depois. Um exercício útil consiste em dispor as vinte e duas por ordem sobre uma mesa e observar as transições, especialmente aquelas que parecem bruscas. Outro consiste em identificar qual delas descreve melhor o período atual de vida, exercício que costuma revelar mais sobre a carta do que qualquer manual. A troca de números entre a Força e a Justiça, introduzida por Waite, deve ser conhecida para comparar fontes sem confusão. Um baralho de Marselha atribui à Justiça o número oito e à Força o onze, e essa diferença não altera o sentido das cartas. Altera apenas a ordem, e convém saber qual das numerações usa a fonte consultada.

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