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A Roda da Fortuna: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • ponto de viragem

  • destino

  • mudança

  • ciclos

  • sorte

  • momento oportuno

  • movimento

  • nova direção

  • oportunidade

  • confiança

  • largar o incontrolável

  • disponibilidade

  • passagem

  • ritmo

  • acaso

  • ascensão

  • renovação

  • domínio de si

  • interligação

  • caminho da vida

  • flexibilidade

  • centro interior

  • imprevisto

  • compreensão

  • círculo maior

Uma carta sem protagonista

A esta carta falta o que quase todas as outras oferecem: uma pessoa com quem se identificar. No centro da imagem há uma roda dourada enorme suspensa no céu, sem eixo, sem suporte e sem ninguém que a faça girar. Pela orla estão dispostas letras que, conforme a direção da leitura, formam TARO ou ROTA, e a segunda palavra significa roda em latim. Entre as letras aparecem os sinais hebraicos do nome divino e as antigas designações alquímicas do mercúrio, do enxofre, da água e do sal. Pelo lado direito desliza para baixo uma serpente e pelo esquerdo sobe devagar uma criatura com cabeça de chacal. No cimo está sentada imóvel uma esfinge azul com uma espada sobre os joelhos. Os cantos estão ocupados por quatro seres alados: um anjo, uma águia, um touro e um leão, e cada um deles lê um livro aberto. Esses seres estão sentados sobre nuvens completamente afastadas do movimento de baixo, e nenhum olha a roda.

O que gira e o que permanece

Analisar a imagem segundo o critério de movimento e quietude esclarece a sua mensagem. Movem-se a própria roda, a serpente que desce e a criatura que sobe a seu lado: uma decompõe e a outra restaura, como a inspiração e a expiração. Permanecem em contrapartida a esfinge de cima e os quatro leitores dos cantos, e precisamente aí se encontra a lição. A esfinge está sentada no ponto onde o movimento é menor, e sobre os seus joelhos repousa a espada da clareza; o enigma que a esfinge propõe na lenda refere-se às idades do homem, de modo que a sua presença liga a roda à sucessão das etapas da vida. Os quatro seres representam os signos fixos do zodíaco e aquela estabilidade que resulta possível conservar no meio da mudança. Convém notar que leem em vez de observar, o que sugere que a compreensão é um modo de atravessar o giro. As letras da orla ligam a palavra sobre a lei ao nome divino e afirmam que estes ciclos seguem uma ordem por arbitrário que pareça o que acontece, e os sinais alquímicos entre elas designam os quatro princípios, de modo que a roda representa a estrutura da matéria e não o acaso.

Nenhum estado dura

A frase mais simples desta carta acaba por ser a mais difícil de escutar. Tudo passa, e passa em ambas as direções. Um período difícil que parece interminável passará, e um período bom que se quereria reter também passará. Quem se encontra numa fase dura não consegue imaginar a saída, embora a saída exista quase sempre. Nos períodos bons acontece exatamente o contrário: a pessoa começa a considerar a sua situação habitual e permanente. Daí decorrem duas regras práticas. No cimo não se escrevem juízos definitivos, e no ponto mais baixo não se tomam decisões irreversíveis. Ambas as regras são fáceis de enunciar e difíceis de cumprir, precisamente porque nesses pontos a certeza se sente com a máxima intensidade. Em ambos os casos convém anotar uma descrição breve do estado real das coisas, já que nenhum desses ânimos se deixará reconstruir depois com exatidão. A Roda da Fortuna não promete uma melhoria mas uma mudança, e são coisas distintas, e por isso a sua aparição importa por igual a quem vai mal e a quem vai bem.

O peso do momento

Alguns assuntos falham não por serem maus mas por terem chegado cedo. Um projeto pelo qual há três anos ninguém se interessou pode encontrar-se hoje com uma necessidade existente sem uma única letra mudada. A influência sobre esse momento resulta quase nula, ao passo que a influência sobre a preparação para ele é grande. Além disso, as oportunidades só as reconhece quem já está ocupado com o assunto, e por isso separar a sorte da preparação resulta difícil. Esta carta anuncia com mais frequência a abertura de uma porta ali onde tudo parecia fechado, e sem uma mudança percetível no esforço investido. Semelhantes janelas raramente permanecem abertas muito tempo, já que o círculo não espera por ninguém. Quem passa esse período à espera perde justamente o movimento que se dirigia para ele, e a disponibilidade aqui não significa tensão mas ter já um trabalho em curso ao qual a oportunidade se possa somar.

A procura do padrão

Uma parte considerável da vida parece aleatória à primeira vista. De maior distância o aleatório resulta notavelmente menor. Situações parecidas, pessoas parecidas e respostas parecidas regressam com uma regularidade impressionante. Quando uma mesma história se repete com pessoas completamente distintas, a única constante que resta é quem a narra. Comprová-lo resulta bastante prático: pôr três casos parecidos lado a lado e encontrar o ponto em que cada um se virou. Esse padrão remonta quase sempre a um material bastante mais antigo, em geral familiar, e foi assimilado antes de existir a capacidade de escolher. Vê-lo não significa resolvê-lo, embora detenha a repetição cega, e deter a cegueira modifica já por si o desfecho. Basta anotar três casos numa mesma página, visto que a semelhança aparece antes aos olhos do que à memória.

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Manter-se perto do centro

A esfinge do cimo mostra uma postura determinada, e isso separa a Roda da Fortuna do puro fatalismo. Sentar-se na orla exterior da roda faz com que cada volta atire o seu passageiro com força, ao passo que mais perto do centro esse mesmo movimento se sente bastante mais suave. Dito sem rodeios: quanto mais o valor de uma pessoa depende de resultados externos, com mais força a atingem as oscilações. O centro compõe-se de coisas pouco brilhantes: relações que existem independentemente dos êxitos, hábitos que se conservam também nas semanas más e as poucas convicções que não se renegoceiam a cada objeção. Uma boa comprovação é a resposta ao elogio, já que quem depende muito dele ficará atingido com a mesma força pela crítica; daí decorre que a estabilidade não se constrói sobre os êxitos mas sobre o que deles não depende.

Largar o que não está nas mãos

Uma energia considerável costuma gastar-se em coisas sobre as quais resulta impossível influir. A roda não tem manivela e não gira nem mais depressa nem mais devagar por muito empenho que se aplique. O ponto mais obstinado aqui acaba por ser a inquietação disfarçada de preparação: não muda nada e custa caro. Ao mesmo apartado pertencem as decisões de outras pessoas, as suas opiniões, o clima, o passado e o desfecho de quase qualquer assunto. A proposta prática consiste numa separação: o que está dentro do raio de ação e o que fica fora dele. Duas listas escritas tornam o exercício completamente simples, já que a brevidade da primeira lista se descobre no papel de imediato. Existe além disso uma zona intermédia onde há influência sem controlo, e aí o trabalho faz sentido embora o desfecho continue incerto, e a maior parte do esforço com sentido situa-se justamente nessa zona.

Exatamente a metade do caminho

Com o número dez, a Roda da Fortuna situa-se mesmo a meio dos arcanos maiores, e essa posição ajuda a lê-la. Tudo o que veio antes serviu para construir capacidades pessoais: vontade, intuição, ordem, partida, domínio de si e retiro. Aqui em contrapartida intervém pela primeira vez algo que não procede da própria pessoa, e o caminho recebe de novo um impulso de fora. O dez completa um ciclo numérico inteiro e por isso assinala um fim e um começo num mesmo instante. Convém notar que esses mesmos quatro seres alados aparecem aqui e depois mais uma vez na última carta da série, o que liga ambos os pontos entre si. Nenhuma vida se compõe exclusivamente do que o seu dono construiu, e é precisamente isso que esta carta reconhece, e reconhecê-lo não anula o esforço mas devolve-lhe o seu tamanho correto.

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