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A Sacerdotisa: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • intuição

  • saber interior

  • silêncio

  • mistério

  • atenção

  • sabedoria feminina

  • sonhos

  • inconsciente

  • paciência

  • compreensão

  • recolhimento

  • confiança

  • verdade oculta

  • aceitação

  • profundidade

  • calma

  • ritmo lunar

  • voz interior

  • medida nas palavras

  • clareza interna

  • sabedoria

  • observação

  • limites

  • maturidade

  • guia espiritual

O que o véu esconde

Esta carta mostra muito e diz pouco. Uma mulher está sentada, com o corpo ereto, entre duas colunas: a da esquerda negra com a letra B e a da direita branca com a letra J, ou seja, os pilares Booz e Jaquim da entrada do templo de Salomão em Jerusalém, cuja presença assinala um limiar. Entre elas pende um véu que cobre precisamente aquilo que o espectador quereria ver, isto é, a vista de trás. No tecido estão tecidas romãs e palmas, e tão cerradas que o olhar se detém nelas em vez de as atravessar. Na cabeça leva uma coroa de dois cornos com um disco ao centro, toucado da deusa egípcia Hathor, e a seus pés repousa uma lua crescente que a liga aos ciclos e a tudo o que se move às escondidas. A túnica azul cai em pregas suaves e na orla transforma-se em água, de modo que se torna impossível determinar onde acaba o tecido. Sobre os joelhos repousa um rolo meio coberto com a inscrição TORA, e apenas metade dele é visível. Nenhum objeto da carta se encontra em movimento, e esta é a única figura dos arcanos maiores completamente desprovida de ação.

Não trancado, apenas descido

Retirar o véu destruiria o sentido inteiro, e por isso a compreensão começa justamente aí. Não está trancado nem selado, apenas descido, e essa diferença contém a mensagem completa. O conhecimento necessário está realmente disponível, mas não aparecerá porque alguém o exija. A romã tecida no tecido é um símbolo antiquíssimo do que está oculto, já que os seus grãos só se veem depois de aberto o fruto. As colunas erguem-se na entrada, ou seja, a Sacerdotisa não se encontra dentro mas no limiar: a carta não fala de possuir o conhecimento mas de permanecer na sua fronteira. O seu número romano é II, e o dois é o primeiro número em que aparece a oposição dentro do baralho: a ação única do Mago desdobra-se aqui em dualidade. A tradição da Aurora Dourada liga-a à Lua, e por isso o seu conhecimento chega por fases e não num fluxo contínuo. A palma do véu considera-se além disso sinal masculino e a romã feminino, de modo que o próprio tecido carrega a mesma dualidade das colunas.

Saber sem prova

Uma proposta impecável no papel que produz um aperto interior; uma escolha que o meio considera imprudente e que ao seu autor traz uma calma estranha: esse é o terreno da Sacerdotisa. O corpo costuma registá-lo primeiro, sob a forma de tensão, cansaço ou leveza repentina, muito antes de aparecerem as palavras. Nada há aqui de nebuloso. Trata-se de experiência comprimida: a memória reconhece um padrão e não mostra a comparação que empregou. Precisamente por isso a intuição resulta fiável em terrenos onde se acumulou experiência e notavelmente mais fraca onde tudo é novo. Em quem trabalha há vinte anos num ofício, a intuição constitui dados; em quem o faz pela primeira vez, a intuição costuma ser ansiedade. A comprovação prática permanece simples: anotar o palpite com a data e relê-lo ao fim de meio ano. Uma lista assim ao fim de um ano mostra em que terrenos a intuição funciona com fiabilidade e em quais convém confrontá-la com argumentos.

Esperar também é agir

A maior parte das cartas empurra para alguma coisa e esta puxa para trás, e poucas há assim no baralho. Costuma aparecer quando alguém tenta forçar uma decisão enquanto partes importantes da situação continuam fechadas. Convém examinar a origem dessa pressão: raramente vem do assunto em si e com mais frequência do meio ou da impossibilidade de suportar mais uma semana de incerteza. Uma decisão tomada cedo demais custa bastante mais do que as semanas que poupa, já que o que se construiu sobre dados incompletos terá depois de se desmontar. A espera que esta carta propõe não é passiva: observar, reunir, manter a porta aberta. Para que não se transforme em evasão fixa-se uma data de regresso ao assunto. Esperar sem data é adiamento; esperar com data é estratégia. A diferença entre ambos resulta indistinguível de fora, e precisamente por isso a data se escreve em vez de se guardar na cabeça.

O preço e o rendimento do silêncio

A Sacerdotisa guarda alguma coisa, e isso não significa renunciar à honestidade. Alguns projetos e alguns sentimentos precisam de um período que pertença apenas ao seu dono antes de adquirirem forma; caso contrário desmontam-se na conversa antes de se tornarem defensáveis. Opera aqui um efeito conhecido: contar um plano em detalhe fornece de antemão uma pequena ração de aprovação, e a motivação para o executar cai em silêncio. A questão, portanto, não é falar ou não, mas a quem e quando. O mesmo vale para o conflito: nem toda censura exige resposta no mesmo dia, e um adiamento de vinte e quatro horas melhora quase todas as respostas. A quem mede as suas palavras lê-se mais como fiável do que como frio, já que o meio deduz que também guarda o que é alheio. A regra funciona igualmente ao contrário: quem repete o alheio perde confiança mais depressa do que chega a notar.

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Lua, água e trabalho noturno

A ligação desta carta com a Lua e com a água assinala aquela parte da mente que trabalha durante o sono e na distração. Um sonho que se repete, uma recordação que emerge sem motivo, uma imagem que chega a caminhar e se recusa a partir. Convém atender ao momento em que tais impressões aparecem: chegam quase sempre em instantes em que nada de importante se faz, debaixo de água, a caminho ou nos minutos anteriores ao sono. Ou seja, o tédio não constitui tempo perdido mas a condição para que algo chegue: um dia cheio sem interstícios fecha esse canal por completo. Interpretar os sonhos com um dicionário de símbolos resulta inútil, já que o dicionário desconhece a vida de quem sonha. A repetição é mais fiável do que o significado: uma imagem que aparece uma vez pode ser ruído; uma que aparece três vezes já não. Para isso basta ter uma folha junto à cama, já que ao fim de poucos minutos acordado a anotação se torna impossível.

A proximidade não exige revelar tudo

A Sacerdotisa não se levanta, não se aproxima e não se justifica, e essas três ações ausentes definem juntas a sua postura. A intimidade verdadeira não se constrói entregando tudo sobre si próprio à maior velocidade possível. Uma abertura demasiado cedo costuma gerar um vínculo intenso que não resiste, porque por baixo não há tempo partilhado, e essa intensidade desmorona-se ao primeiro obstáculo. A confiança constrói-se por degraus, e em cada degrau espera-se uma resposta antes de dar o seguinte; a ausência de resposta é ela própria um dado. Um limite assinalado com calma lê-se como clareza, ao passo que esse mesmo limite com uma explicação longa lê-se como convite a negociar. Esta carta lembra que um limite é válido mesmo sem justificação, o que raramente se diz em todo o baralho. Quem explica o seu limite em detalhe costuma estar a explicá-lo a si próprio e não ao interlocutor.

Exatamente diante do Mago

As cartas vêm seguidas e lê-las juntas esclarece ambas. O Mago traz o I e a Sacerdotisa traz o II. Um ergue a mão, fala e faz com que as coisas aconteçam; a outra permanece sentada, cala e retém alguma coisa. Um trabalha com o que sabe, a outra com o que sente. Até os fundos se respondem: o jardim do Mago está cultivado e é resultado de um trabalho, ao passo que a água às costas da Sacerdotisa não foi plantada por ninguém. Essa oposição não é casual, já que o mesmo par se repete à medida que os arcanos maiores avançam: a Imperatriz e o Imperador, depois a Lua e o Sol. Ambos os movimentos são necessários, visto que a ação contínua esvazia e a espera contínua transforma-se em pretexto. A maior parte das pessoas é notavelmente mais forte num deles, e por isso aquele que precisa de exercício é justamente o outro. Determinar qual é o lado forte não resulta difícil: basta lembrar o que produz mais inquietação, a pausa ou o movimento.

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