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A Temperança: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • equilíbrio

  • paciência

  • medida justa

  • cura

  • acordo

  • temperança

  • calma

  • mistura

  • integração

  • discernimento

  • continuidade

  • cuidado de si

  • fluir

  • adaptação

  • caminho do meio

  • atenção

  • recuperação

  • união

  • clareza

  • ritmo

  • estabilidade

  • avanço lento

  • confiança

  • prudência

  • ordem interior

Água que não cai

No centro desta carta acontece um movimento que não deveria acontecer. A água passa entre duas taças douradas de ida e volta, e em vez de cair a prumo traça um arco inclinado, como se a gravidade fosse aqui apenas uma sugestão. As taças são seguradas por uma figura grande e alada de túnica branca e asas vermelhas, e o seu movimento resulta leve, como o de quem o fez mil vezes. Sobre o peito leva um triângulo dentro de um quadrado, e na testa um pequeno sinal solar. Olhar os seus pés descobre o lugar onde a carta fala verdadeiramente: um pé apoia-se em terra firme e o outro está dentro da água de um tanque. Na margem crescem lírios amarelos, e o lírio traz nas línguas europeias o nome da mensageira do arco-íris. Um carreiro estreito estende-se do primeiro plano até duas montanhas distantes, e sobre os cumes há uma luz que se parece mais com uma coroa do que com um amanhecer.

Estar em dois mundos

A Temperança compõe-se inteiramente de limiares, e por isso nela se procuram os lugares onde duas coisas se encontram. O mais evidente é essa postura com um pé em terra e outro na água, e comunica que o pensamento e o sentimento trabalham aqui juntos em vez de se substituírem. A água que passa de taça para taça constitui o segundo limiar, já que algo muda de recipiente sem perder uma única gota. Sobe contra a gravidade, e isso mostra que não se trata de um acaso natural mas de uma destreza. O triângulo dentro do quadrado repete a mesma ideia em linguagem geométrica: uma força espiritual introduzida numa forma estável. As asas pertencem ao céu, as plantas pertencem à terra, e esta figura sustenta ambas as coisas sem contradição. O carreiro do fundo une o lugar onde está às duas montanhas, ou seja, entre o presente e a meta estende-se uma distância que resulta possível percorrer, e o sinal solar da testa assinala uma ação consciente e não uma inspiração.

Tudo se decide na quantidade

A questão da quantidade forma o núcleo prático desta carta, e estende-se a quase tudo na vida. Tudo o que é útil se torna nocivo em volume suficiente, e tudo o que é nocivo fica sem consequências em dose pequena. O trabalho e o descanso, a proximidade e a solidão, o movimento e o prazer e até a autoobservação obedecem a esta regra sem exceções. Por isso a pergunta sobre se uma coisa é boa ou má não conduz a lado nenhum, ao passo que a pergunta por quanto e quando conduz diretamente a uma resposta. Quem a leva a sério deixa de proibir e começa a medir. Isso resulta mais difícil do que uma proibição, visto que exige atenção de cada vez em vez de uma única decisão dramática. A própria quantidade lê-se pelas consequências: aquilo que deixa o seu dono operacional no dia seguinte estava aproximadamente no ponto, e a comprovação ocupa uma manhã e sai mais barata do que qualquer regra fixada de antemão. Quem a leva a sério deixa de proibir e começa a medir.

A paciência como técnica

Esta palavra costuma traduzir-se por paciência, e não se refere a uma qualidade que se possui ou não. Refere-se a tratar o tempo como parte do trabalho e não como obstáculo entre a pessoa e o seu resultado. Os cozinheiros, os artesãos e os médicos sabem-no por si próprios, já que a massa não levêda mais depressa por alguém estar ao lado. Transferir isto para os projetos significa calcular com honestidade o prazo desde o princípio em vez de o viver depois como atraso. Conceder seis meses a um assunto que precisa de seis meses produz um projeto tranquilo, ao passo que conceder dois meses produz quatro meses de frustração com o mesmo resultado. O avanço mede-se em ações e não em resultados, visto que as ações estão disponíveis diariamente e os resultados não, e precisamente por isso calcular o prazo no começo poupa boa parte da deceção posterior. O tempo trata-se como parte do trabalho e não como obstáculo entre a pessoa e o resultado.

O meio não é a mediocridade

Antes de a aplicar convém desfazer um mal-entendido. Procurar sem descanso a solução intermédia produz quase sempre uma solução que ninguém queria e serve sobretudo para esquivar a discussão. A Temperança não mistura para acertar no meio mas para obter um resultado determinado. Em toda boa mistura as proporções são desiguais, e é precisamente nisso que consiste a destreza, já que uma receita não melhora tomando a mesma quantidade de tudo. A um período da vida é permitido estar inclinado desde que seja escolhido e tenha um fim. Escrever um livro significa meses de inclinação, e recuperar de alguma coisa significa o mesmo. A dificuldade começa apenas quando um período inclinado se transforma em silêncio numa disposição permanente e ninguém revê as proporções, e basta perguntar a cada trimestre se o prazo fixado para essa inclinação continua em vigor. Em toda boa mistura as proporções são desiguais.

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A recuperação exige a mesma exatidão

A Temperança está estreitamente ligada à cura, e por isso tem uma palavra precisa sobre a recuperação. Recuperar de uma doença, de uma exaustão ou de uma separação exige uma mistura de repouso e movimento, e uma dose errada de qualquer um dos dois estorva. O repouso completo retira forças e impulso, e um regresso demasiado cedo produz com fiabilidade uma recaída. Costuma funcionar um aumento lento em que a carga cresce de maneira gradual e as recaídas estão contadas de antemão. Requer-se além disso uma mistura de solidão e companhia, visto que cada uma por separado piora em geral este tipo de períodos. Convém avaliar o estado uma vez por dia, já que de outro modo a exaustão só se nota quando já cresceu. O pé dentro da água pertence justamente a esta parte da imagem, e está submerso pouco, o que assinala participação sem dissolução. Requer-se uma mistura de repouso e movimento, e uma dose errada de qualquer um estorva.

O caminho importa mais do que o cume

O carreiro estreito do fundo merece mais atenção do que costuma receber. Vai direito, sem atalhos, entre duas montanhas, e sobre ele há luz. Resulta notável que a figura não caminhe por ele mas esteja de pé em primeiro plano a fazer o trabalho que tem entre mãos. Por isso a Temperança diz algo incómodo: a meta conhece-se e hoje não se alcançará, e o trabalho verdadeiro é o que está agora diante dos olhos. Uma pessoa muito orientada para o resultado sentirá isso ao princípio como um rebaixamento, visto que considera o caminho um simples meio. Entretanto, uma vida assim significa passar quase todo o tempo num estado de ainda não. Convém escolher um ritmo que resulte realmente sustentável e umas condições contra as quais não seja preciso lutar todas as manhãs, já que um ritmo que exige superação diária não é um ritmo mas um desmoronamento adiado. A meta conhece-se e hoje não se alcançará.

Como é uma vida sem esta medida

Às vezes o sentido compreende-se antes pelo contrário. Sem esta medida a vida transcorre em oscilações grandes: fases de sobrecarga completa alternadas com um colapso a que se chama descanso. Os projetos começam com um entusiasmo enorme e morrem ao terceiro mês, visto que o ritmo escolhido não estava calculado para a distância inteira. As relações oscilam entre uma proximidade intensa e uma retirada repentina, já que a posição intermédia nunca se praticou. A comida, o sono, o dinheiro e o trabalho seguem o mesmo padrão, entre regras estritas e o desmoronamento completo dessas regras. Resulta notável que quem vive assim raramente seja preguiçoso e com mais frequência excecionalmente aplicado, ou seja, o esforço nunca foi a sua dificuldade. A sua dificuldade é a medida, e a saída não consiste em mais disciplina mas em quantidades menores que possam sustentar-se de verdade; essa conclusão costuma provocar resistência porque parece uma concessão, quando na realidade é a condição da continuidade. Quem vive em oscilações grandes raramente é preguiçoso e com mais frequência excecionalmente aplicado.

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