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Cinco de Copas: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • perda

  • luto

  • aceitação

  • tristeza

  • desprendimento

  • cura

  • olhar externo

  • o que resta

  • viragem

  • pesar

  • honestidade emocional

  • tempo

  • suavidade consigo

  • passagem

  • ponte à frente

  • recuperação

  • reconhecimento

  • revisão

  • apoio

  • seguir em frente

  • largar

  • ordem interior

  • o aprendido

  • continuar o caminho

  • início da esperança

Duas taças a que não se voltou

O sentido desta carta reside num movimento que o seu protagonista não realiza. Uma pessoa com uma capa negra comprida está de pé com a cabeça inclinada para três taças douradas viradas diante de si, cujo conteúdo se derramou sobre a terra. Atrás permanecem outras duas taças, intactas e cheias. Não se volta. Ao longe distingue-se um rio atravessado por uma ponte, e na outra margem levanta-se uma construção. O céu é cinzento, a terra está nua, e a capa ajusta-se-lhe como uma casca. Nada na sua postura parece dramático: há apenas uma cabeça baixa. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o primeiro decanato de Escorpião e Marte, ou seja, o golpe entra nas águas mais fundas, e a ferida resulta aqui interior e não visível de fora, razão pela qual aos que o rodeiam custa reconhecê-la e explicá-la exige palavras que ficam sempre curtas. A capa negra representa precisamente esse estado de separação, visível de fora e indescritível de dentro. O céu cinzento e a terra nua completam a cena sem lhe acrescentar dramatismo algum.

Três viradas e duas de pé

Contar as taças proporciona a construção inteira. Três caíram, duas continuam de pé, e o seu olhar apenas alcança o lado caído. Isso não constitui um erro de juízo mas o modo como trabalha o luto: a perda enche o campo visual completo e por isso o resto se torna temporariamente invisível. A capa é negra e fechada, o que significa um estado que separa o seu portador do exterior. Ao mesmo tempo não lhe cobre os olhos, ou seja, a visão é recuperável ainda que agora esteja dirigida para um único lado. O cinco de cada naipe constitui o número da turbulência, e no naipe da água manifesta-se como perda e não como confronto. A ponte do fundo é o pormenor mais importante, já que diz que o caminho para outro lugar existe e está construído. O rio é o sentimento que haverá de atravessar-se, e a construção é um lugar alcançável ainda que não hoje. A distância até ela é grande, e nisso a imagem resulta honesta. A ponte, em contrapartida, já está construída, e essa é a única promessa que a carta se permite.

Permitir que a perda seja perda

Perdeu-se alguma coisa de verdade, e o primeiro aqui não é olhar em frente. A procura apressada de uma lição, de um lado positivo ou de um ângulo a partir do qual isto resulte um bem prolonga em geral o caminho inteiro. O luto que se salta não desaparece mas regressa num momento pior. Concede-se-lhe tempo e lugar: diz-se, escreve-se, conta-se a alguém que não tenha pressa de o reparar. Aceita-se que chega em ondas e que depois dos dias bons se seguem dias duros sem causa alguma, e isso resulta completamente habitual. Esta carta não exige aguentar mas reconhecer. Fixar aqui um prazo para o superar resulta inútil, visto que este processo não obedece a calendário algum, e minimizar a perda também não serve porque o saltado regressa depois. Ajuda tudo o que acompanha o processo em vez de o acelerar: a conversa, uma rotina estável, o movimento e dormir o suficiente. Aceitar que chega em ondas evita interpretar os dias duros como um recuo.

O campo visual estreita-se sozinho

Convém esclarecer o mecanismo que esta carta descreve, já que conhecê-lo basta para o contrariar. Perante a dor, a atenção contrai-se por si só à volta da perda, e isso não é fraqueza mas uma resposta antiquíssima. O seu preço consiste em que o que sobrevive desaparece da consciência e não da vida. Para o recuperar empregam-se meios externos, visto que a sensação por si só não o consegue. Anotam-se três coisas que continuam de pé hoje, por insignificantes que pareçam. Ou pergunta-se a uma pessoa próxima o que ela vê que continua intacto. Não se trata de consolar-se mas de calibrar um instrumento conhecido pelo seu desvio neste estado, e por isso convém uma comprovação externa e não uma interna. Nomear em voz alta o perdido pelo menos uma vez ajuda, já que o que não se nomeia não se deixa chorar. Anotar três coisas que continuam de pé funciona melhor do que tentar sentir-se grato.

Não riscar o passado inteiro

Esta carta encerra um erro frequente e caro. Quando algo termina mal, quem o viveu tende a reescrever a experiência inteira como um erro, visto que isso alivia um pouco a dor. Com isso risca-se além disso o que nela foi autêntico: o que se aprendeu, quem se conheceu e o que resultou realmente acertado no seu tempo. Um mau fim não anula retroativamente um bom decurso. Separa-se a conta: que parte se estragou de verdade e que parte simplesmente deixou de continuar. Essa distinção devolve a uma pessoa a sua própria história e evita-lhe começar a confiar do zero da próxima vez, e as taças viradas são aqui três e não cinco. Um mau fim não transforma em erro tudo o que veio antes. Essa distinção evita além disso começar a confiar do zero da próxima vez.

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A ponte já está construída

A ponte é o lugar da esperança nesta carta, e a sua localização diz tudo. Encontra-se ao fundo, visível e transitável, e neste momento não há ninguém sobre ela. Ou seja, a saída não exige construção mas exige ser vista, coisa inalcançável nos piores dias do luto. Atravessá-la agora não faz falta e sim faz falta saber que está ali. Depois dá-se um passo muito pequeno: sair uma vez, responder a uma chamada, restabelecer a rotina do dia. A estrutura diária sustenta o seu portador nos tempos instáveis mais do que parece, e a ponte continuará no seu sítio e não desaparecerá por hoje não se ter atravessado. Um passo pequeno vale aqui mais do que uma decisão grande. A estrutura do dia sustenta nestas semanas mais do que parece de dentro.

A viragem precisa de tempo

O movimento principal desta carta é uma viragem, e ninguém pode fixar o prazo a outra pessoa. Nuns são semanas e noutros meses, e isso guarda relação menos com a fortaleza do que com a profundidade do perdido. O perigo não está aqui na lentidão mas na paragem: se passarem os meses e o campo visual não se tiver alargado um dedo, já não se trata de um luto que trabalha mas de um luto transformado em domicílio. Os sinais resultam tangíveis: se algo desperta ainda interesse, se o sono e o apetite regressaram, se restam pessoas que se veem. Se as respostas forem negativas durante muito tempo, falar com um profissional constitui um passo adequado e não um exagero. Esta carta não exige velocidade mas direção. Distinguir um luto que trabalha de um parado consegue-se observando se o campo visual se alarga ainda que pouco.

O lugar do cinco neste naipe

O cinco quebra a estabilidade em todos os naipes, e no naipe da água fá-lo através da perda e não da hostilidade. O cinco de Paus são cinco pessoas a empurrar-se, ao passo que o cinco de Copas é uma pessoa diante do derramado, e trata-se do mesmo número em elementos distintos. Chega imediatamente depois do quatro de Copas, onde alguém sentado não notava as três taças intactas que tinha diante. Essa sequência resulta cruel e honesta, já que o valor de algumas coisas só se descobre depois de as perder. A seguir vem o seis de Copas, carta da memória e da suavidade, ou seja, este caminho conduz a outro lugar. Aqui não está o fim do naipe mas o seu ponto mais baixo. A partir daqui o caminho sobe, e a carta seguinte confirma-o. O cinco de Paus são cinco pessoas a empurrar-se, ao passo que aqui uma só está diante do derramado.

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