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Cinco de Paus: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • rivalidade

  • atrito

  • desacordo

  • energia

  • desafio

  • afirmação de si

  • disputa

  • prova

  • pulso

  • animação

  • individualidade

  • ambição

  • esclarecimento

  • coragem

  • fixar posição

  • crescimento pelo choque

  • limites

  • franqueza

  • irritação

  • impulso

  • organização do grupo

  • olhar externo

  • arranjo

  • concentração

  • discussão criativa

Todos agitam e ninguém vence

A imagem mais ruidosa do baralho é esta, e o próprio ruído constitui aqui o assunto. Sobre um terreno aberto há cinco jovens, cada um com um pau nas mãos, e todos o levantam ou o agitam. Um olhar atento descobre que nenhum dos paus atinge realmente ninguém. Aqui não há feridos, nem caídos, nem ninguém que controle o que quer que seja. A sua roupa difere em cor e em desenho, ou seja, diante do espectador há indivíduos e não dois campos organizados. O chão sob eles está nu e o céu pálido, de modo que na própria paisagem não há nada que valha a pena conquistar. Parece uma briga e aproxima-se mais de que todos falem ao mesmo tempo. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o primeiro decanato de Leão e Saturno, e Saturno num signo que aspira a ser visto cria um estorvo justamente ali onde se procura o reconhecimento, de modo que o choque se trava aqui à volta da posição e não dos recursos. Isso explica além disso que os participantes não pareçam hostis: cada um precisa de ser visto e não de vencer os demais.

Cinco direções ao mesmo tempo

Aqui leem-se os paus e não as pessoas, visto que nenhum aponta para o mesmo lado. O cinco de cada naipe constitui o número da turbulência e chega imediatamente depois do quatro estável para o sacudir. No naipe do fogo essa sacudidela não se manifesta como perda nem como tristeza mas como choque de energias, de ambições e de amores-próprios. A roupa desigual indica que não se trata de uma batalha entre duas partes mas de cinco projetos num espaço estreito. Convém notar que ninguém leva armadura e ninguém guarda coisa alguma, e portanto o assunto não consiste aqui em defender-se. O chão nu assinala a ausência de um território em disputa, e isso aponta para que o objeto do choque seja o direito a ser escutado. O mais importante é que esses paus continuam a ser madeira viva, ou seja, esta energia engendra em vez de destruir, e por isso o que aqui acontece é desgaste e não demolição. Por isso também esta carta cansa mais do que danifica, e os seus efeitos aparecem no esgotamento e não nas perdas.

O atrito não é um fracasso

Este período está com toda a probabilidade cheio de pequenos choques e resulta desgastante. Reuniões que não chegam a nada, uma equipa onde cada um tem a sua opinião, uma família em que todo plano se transforma em negociação. O primeiro a saber é que semelhante situação resulta habitual e não constitui um sinal de avaria. Um grupo de pessoas capazes com critério próprio produz um atrito constante, ao passo que um acordo completo costuma significar que alguém se calou. Deixa-se de tratar o próprio choque como um problema que é preciso eliminar. A pergunta verdadeira consiste em saber se esse atrito produz alguma coisa ou gira no sítio. A rivalidade afia o trabalho quando tem uma direção e esvazia todos quando não a tem, e distinguir ambos os estados consegue-se com uma pergunta: se o assunto avançou durante o mês passado. Essa resposta resulta mais fiável do que qualquer sensação, visto que dentro do choque a sensação indica sempre movimento.

Ninguém fixou as regras

Um segundo olhar à imagem descobre o que falta: nem árbitro, nem meta, nem limites, nem desfecho acordado. Quase sempre é precisamente isso que constitui a dificuldade real nas situações que esta carta descreve. Quando cinco pessoas discutem, a causa raramente é uma discrepância sobre os factos e consiste em que ninguém determinou o que significa ganhar nem quem decide. Antes de verter energia nova na discussão convém parar e esclarecer a moldura. O que se está a decidir exatamente, quem tem a última palavra e até que prazo. Nove em cada dez discussões circulares terminam no instante em que alguém pronuncia essas três perguntas em voz alta. O que faz falta aqui é um dispositivo e não mais força de persuasão, e essas perguntas colocam-se antes de começar a discussão e não quando já está encravada. Escritas de antemão funcionam melhor, já que em plena conversa se formulam com imprecisão.

Se esta disputa pertence a quem a trava

Esta carta esconde uma pergunta útil: se o choque em questão pertence realmente a quem está dentro dele. As pessoas são arrastadas sem descanso para conflitos alheios, quase sempre por lealdade ou por hábito e não por um interesse real. Revêem-se todos os desacordos atuais e pergunta-se o que mudaria pessoalmente se vencesse a parte contrária. Às vezes a resposta honesta resulta ser nada, ou seja, a saída é possível sem perdas. A energia é limitada e este naipe consome-a mais depressa do que os outros. Gasta-se naquelas batalhas que mudam a vida e deixa-se que o resto siga o seu curso sem a própria participação. Sair de uma disputa desnecessária não constitui uma fraqueza mas um cálculo, e esse cálculo faz-se de antemão porque dentro do choque toda disputa parece essencial. Uma lista dos desacordos atuais numa única folha descobre logo quais são alheios.

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Dizer o que realmente se quer

Nesta carta todos produzem ruído e ninguém fixa uma posição. Precisamente por isso resulta tão reconhecível, já que a maior parte das conversas tensas está cheia de objeções e é extremamente pobre em pedidos claros. Convém notar o que acontece quando alguém finalmente diz em linguagem simples o que deseja: a temperatura cai de imediato. Faz-se com precisão. Em vez de discutir a direção geral nomeia-se o resultado requerido e de quem se precisa de quê. Parece arriscado, visto que um pedido claro pode ser recusado ao passo que uma queixa difusa pode repetir-se indefinidamente. Precisamente por isso a variedade difusa está tão difundida e continua inútil, e uma recusa a um pedido claro constitui informação ao passo que uma queixa repetida não aporta nenhuma. O pedido claro custa mais no momento e bastante menos no fim.

Empregar a energia em vez de a resistir

Esta carta não exige que todos concordem, e semelhante acordo seria em qualquer caso um desperdício. Cinco pessoas com projetos fortes e energia real constituem um recurso desde que esteja dirigido para a tarefa e não uns contra os outros. A rivalidade funciona notavelmente bem quando existe uma meta comum e extremamente mal quando falta. Quem tem influência aqui dá ao grupo algo para onde se mover: um prazo, um critério de qualidade, um cliente ou uma tarefa real. O mesmo princípio opera na vida pessoal, já que a irritação que se sente agora é combustível sem destino. Dirige-se para um exercício, para o trabalho ou para um projeto em vez de para a discussão. Todo esse calor não é um adversário mas um desempregado, e basta dar-lhe uma tarefa externa para que deixe de procurar aplicação entre os presentes. A tarefa deve ser externa, visto que uma interna devolve de imediato a rivalidade.

O preço da duração

Esta carta traz uma advertência que se refere à duração e não à intensidade. Um atrito curto resulta saudável e limpa o ar, ao passo que um atrito permanente muda as pessoas. Quem permanece muito tempo em semelhante situação descobre que todos começam a defender as suas posições em vez de resolver tarefas e que os bons trabalhadores se vão embora em silêncio. Convém notar que na imagem ninguém está ferido, ou seja, o dano desta carta nunca resulta espetacular mas acumulativo. Perdem-se o tempo, a boa vontade e o prazer do próprio trabalho. Estabelece-se um limite: se isto durar mais de um mês, que mude algo no dispositivo em vez de todos se esforçarem mais. Um atrito crónico de baixa intensidade assinala uma organização deficiente e não pessoas deficientes, e substituir as pessoas em semelhante situação não costuma mudar nada porque o dispositivo permanece igual. O que se muda é a moldura: o prazo, o responsável e o critério de conclusão.

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