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Combinações de cartas de tarot

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O que significa combinar cartas

A leitura por combinações é o que distingue uma interpretação de uma lista de significados. Duas cartas lado a lado produzem um sentido que nenhuma delas tem isoladamente, tal como duas palavras formam uma expressão que não é a soma dos seus dicionários. Esta competência é a última a formar-se e a que separa quem lê há um ano de quem lê há cinco. Não se adquire por memorização de tabelas de pares, que existem e são pouco úteis, mas pela prática de perguntar sistematicamente o que a segunda carta faz à primeira, exercício que ao fim de algumas centenas de tiragens se torna automático. Convém acrescentar que esta operação é a mesma que se usa ao ler uma expressão facial, onde nenhum traço isolado significa nada e o conjunto significa tudo. Ninguém aprende a ler rostos por lista de traços, e o mesmo vale para as cartas. A operação treina-se e não se memoriza. É também a última competência a formar-se em qualquer percurso de aprendizagem.

Os quatro tipos de relação

As cartas relacionam-se de maneiras reconhecíveis e nomeá-las acelera muito a aprendizagem. A primeira é o reforço, quando duas cartas apontam na mesma direção e a intensificam. A segunda é a tensão, quando apontam em sentidos opostos e descrevem uma situação em que ambas as forças atuam. A terceira é a condição, quando uma carta define o contexto em que a outra deve ser lida. A quarta é a sequência, quando as cartas descrevem fases sucessivas de um mesmo processo. Identificar qual destes quatro tipos está presente costuma resolver a interpretação inteira antes de qualquer análise detalhada. Um quinto tipo, menos frequente, é a substituição, quando uma carta indica que a outra já não descreve a situação atual. Este último aparece sobretudo em tiragens sobre processos longos. Reconhecer o tipo de relação antes de interpretar poupa metade do trabalho. A pergunta a fazer é sempre a mesma: o que a segunda carta faz à primeira.

Combinações por naipe

O naipe fornece a via mais rápida de leitura combinada. Duas cartas do mesmo naipe concentram a questão nesse território e intensificam-no, e três ou mais indicam que a situação está inteiramente contida nele. Naipes opostos por elemento produzem tensão legível: fogo com água indica impulso contra sentimento, ar com terra indica ideia contra realidade material. Naipes compatíveis produzem reforço: fogo com ar acelera, água com terra estabiliza. A ausência total de um naipe numa tiragem grande é também informação, e a ausência de Ouros costuma indicar que a dimensão prática da questão está a ser ignorada.

Combinações por número

Números repetidos numa tiragem constituem um dos sinais mais fiáveis e menos usados. Dois ases indicam vários começos simultâneos. Dois cincos indicam instabilidade em áreas diferentes ao mesmo tempo. Dois dez indicam o fecho de mais do que um ciclo. Números em sequência, como um três seguido de um quatro, sugerem um processo que avança na ordem esperada. Números muito distantes entre si, como um ás junto a um dez, indicam que partes da situação estão em fases incompatíveis, o que costuma explicar a sensação de descompasso que quem pergunta descreve sem conseguir nomear. Também merece atenção a ausência de qualquer número repetido numa tiragem grande, que indica uma situação com várias frentes independentes. Nesses casos, tratar tudo como um único problema costuma ser o erro em curso. Separar as frentes e ler cada uma isoladamente resolve a confusão. Só depois se procura o que as liga, se é que alguma coisa as liga. Esta última hipótese é legítima e raramente considerada, porque a expectativa de coerência total leva a inventar ligações que a tiragem não contém.

Arcanos Maiores junto a menores

Quando uma carta maior surge ao lado de uma menor, a relação tem uma direção habitual. A maior descreve a força de fundo e a menor descreve a forma concreta que essa força assume. A Torre junto ao Cinco de Ouros descreve uma rutura que se manifesta como perda material; a mesma Torre junto ao Três de Espadas descreve a mesma rutura manifestada como notícia dolorosa. Esta leitura em dois níveis resolve muitas tiragens que parecem contraditórias. Uma proporção elevada de cartas maiores indica que a questão excede o controlo imediato de quem pergunta, o que altera o tipo de conselho apropriado. Nesses casos, o conselho útil dirige-se à postura a adotar e não às medidas a tomar. Sugerir medidas concretas perante forças que ultrapassam quem pergunta produz frustração. A postura, essa, permanece sempre dentro do alcance de quem pergunta. É por isso que as cartas maiores mudam o registo do conselho e não apenas o seu conteúdo.

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Figuras da corte em conjunto

Duas ou mais figuras numa mesma tiragem indicam quase sempre uma dinâmica entre posturas e não uma lista de pessoas. Dois Cavaleiros descrevem duas forças em movimento que podem colidir. Uma Rainha ao lado de um Valete sugere transmissão, alguém que ensina e alguém que aprende. Um Rei ao lado de um Cavaleiro do mesmo naipe descreve frequentemente a tensão entre exercer com medida e agir com pressa. Convém verificar se as figuras olham na mesma direção ou em direções opostas, detalhe visual que fornece informação imediata sobre se colaboram ou se enfrentam. A hierarquia entre elas também conta, já que um Valete ao lado de um Rei descreve uma relação assimétrica que raramente é neutra. Convém verificar se essa assimetria é ensino ou imposição, distinção que as cartas vizinhas costumam esclarecer. Duas Rainhas juntas descrevem antes duas presenças do que uma rivalidade. Dois Reis, em contrapartida, apontam quase sempre para uma disputa de critério.

O método prático

Para trabalhar combinações de forma sistemática, existe um exercício simples e eficaz. Retiram-se duas cartas ao acaso, sem pergunta, e escreve-se uma frase que as una obrigatoriamente, sem interpretar cada uma em separado. Repete-se cinco vezes por sessão. O objetivo não é acertar mas treinar a operação mental de ligar, que é precisamente aquela que falta a quem lê carta a carta. Ao fim de algumas semanas, o hábito transfere-se para as leituras reais. Este exercício custa dez minutos e é o que mais rapidamente melhora a qualidade das interpretações em quem já domina os significados individuais. Uma variante mais exigente consiste em retirar três cartas e escrever uma única frase que as una às três, sem enumerar.

Limites das tabelas de combinações

Circulam listas com centenas de pares e o respetivo significado, e convém saber o que esperar delas. Servem como referência ocasional e não como método, porque o número de pares possíveis num baralho de setenta e oito cartas ultrapassa qualquer memorização e porque cada par muda de sentido conforme a posição que ocupa e a pergunta feita. Uma combinação lida numa posição de obstáculo diz algo diferente da mesma combinação lida numa posição de conselho. Por isso o trabalho de relacionar não pode ser substituído por consulta, e a tabela ajuda apenas quando a leitura já está formada e falta uma confirmação pontual. Convém desconfiar sobretudo das listas que apresentam pares com significado fixo e independente do contexto, porque prometem uma precisão que o instrumento não tem. A posição em que o par aparece altera o seu sentido por completo. Uma tabela consultada antes da leitura substitui o raciocínio em vez de o apoiar. Consultada depois, confirma ou corrige, e essa é a sua utilidade real.

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