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Como embaralhar as cartas de tarot

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Para que serve realmente embaralhar

O ato de embaralhar cumpre duas funções que convém separar. A primeira é mecânica e consiste em desfazer a ordem anterior, porque um baralho recém-comprado sai da caixa por sequência e um baralho usado guarda a disposição da última tiragem. A segunda é de atenção, já que o intervalo entre formular a pergunta e virar a primeira carta obriga a fixar aquilo que se procura. Essa segunda função explica por que motivo pessoas experientes embaralham devagar mesmo quando bastariam poucos movimentos. Nenhuma das duas exige um método particular, e a insistência em técnicas específicas costuma vir da estética e não da necessidade. O que importa é que o gesto seja constante, porque a repetição do mesmo movimento fixa a atenção melhor do que qualquer variação. Nenhuma das duas funções exige um método particular. A primeira desfaz a ordem anterior e a segunda fixa a pergunta. Um baralho recém-comprado sai da caixa por sequência e um baralho usado guarda a disposição da última tiragem.

Os métodos correntes

Existem três formas usadas com regularidade e cada uma tem vantagens próprias. O embaralhamento por transferência consiste em passar pequenos maços de uma mão à outra, sendo o mais suave para as cartas e o mais lento a misturar. O corte múltiplo divide o baralho em vários montes e reúne-os por ordem diferente, misturando bem e poupando as extremidades. O método de espalhar as cartas na mesa e movê-las com as palmas mistura melhor do que qualquer outro e ocupa espaço. Convém escolher um método e mantê-lo, porque a familiaridade do gesto contribui para a concentração mais do que a eficácia da mistura. Quem alterna entre métodos perde essa vantagem sem ganhar nenhuma outra. O método de espalhar as cartas na mesa mistura melhor e exige espaço. O corte múltiplo mistura bem e poupa as extremidades do baralho. O embaralhamento por transferência é o mais suave e o mais lento.

O que evitar

O embaralhamento em cascata, aquele em que as duas metades se entrelaçam com um estalo, danifica as cartas com rapidez. As bordas dobram, as camadas de cartão separam-se e um baralho tratado assim perde qualidade em poucos meses. Convém também evitar mãos húmidas ou gordurosas, já que o cartão absorve e mancha de forma permanente. Cartas grandes exigem cuidado adicional, pois o formato torna certos gestos impossíveis sem forçar. E quem usa um baralho com acabamento brilhante nota que ele desliza demasiado, o que obriga a movimentos mais curtos. Um baralho danificado torna-se além disso difícil de misturar, o que agrava o problema a cada sessão. O cartão absorve gordura de forma permanente, e por isso as mãos devem estar secas. O embaralhamento em cascata dobra as bordas e separa as camadas do cartão. Um baralho tratado assim perde qualidade em poucos meses. Cartas de formato grande exigem cuidado adicional, pois o tamanho torna certos gestos impossíveis sem forçar.

Quantas vezes é suficiente

Não existe número correto e existe uma orientação prática. Do ponto de vista mecânico, sete a dez passagens bastam para desfazer qualquer ordem anterior num baralho de setenta e oito cartas. Do ponto de vista da atenção, o critério é diferente e consiste em parar quando a pergunta está firme na cabeça. Muitos leitores embaralham até sentir que a sequência ficou pronta, e essa sensação não tem base mecânica e funciona como sinal de que a concentração se estabeleceu. Ambos os critérios são legítimos desde que não se confundam, porque atribuir à mistura uma precisão que ela não tem gera desconfiança desnecessária quando a leitura não agrada. Sete passagens bastam do ponto de vista mecânico, e o resto pertence ao ritmo de quem lê. Ambos os critérios são legítimos desde que não se confundam. Atribuir à mistura uma precisão que ela não tem gera desconfiança quando a leitura desagrada. O critério da atenção consiste em parar quando a pergunta está firme.

Embaralhar com uma pergunta

O procedimento que a maioria segue tem três passos e convém executá-los por ordem. Primeiro formula-se a pergunta em voz alta ou por escrito, porque no papel a vagueza aparece de imediato. Depois embaralha-se mantendo a questão presente, sem repetir mentalmente uma fórmula fixa que acaba por ocupar toda a atenção. Por fim para-se num momento escolhido e não num número contado. Quem lê para outra pessoa pode entregar-lhe o baralho para o corte final, gesto que aumenta a participação de quem pergunta sem alterar nada de mecânico. Convém explicar de antemão o que vai acontecer, pois a incerteza sobre o procedimento distrai mais do que ajuda. A pergunta escrita antes de embaralhar revela a vagueza que a formulação mental esconde. Repetir mentalmente uma fórmula fixa acaba por ocupar toda a atenção disponível. Quem lê para outra pessoa pode entregar-lhe o baralho para o corte final.

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Cortar o baralho

O corte antes de tirar as cartas é uma convenção antiga e a sua utilidade prática é limitada. Alguns leitores cortam em três montes e escolhem um, outros cortam uma vez com a mão esquerda, outros não cortam de todo. Nenhuma dessas variantes altera a mistura de forma significativa depois de um embaralhamento adequado. O valor do corte está no ritmo que impõe, já que marca a fronteira entre preparar e ler. Convém manter sempre a mesma convenção, porque mudar de método a meio de uma prática torna impossível comparar leituras ao longo do tempo. O corte funciona sobretudo como sinal de que a preparação terminou.

Cartas que caem durante o processo

Acontece com frequência que uma ou duas cartas escapam enquanto se mistura. Existem duas maneiras correntes de tratar isso. A primeira consiste em devolvê-las ao maço sem lhes dar atenção, entendendo o episódio como acidente mecânico. A segunda consiste em pô-las de lado e lê-las como comentário adicional à tiragem. Nenhuma das opções é mais correta e o que importa é decidir antes e não depois, pois escolher a interpretação em função da carta que caiu retira sentido ao procedimento. Convém registar a convenção adotada no caderno de leituras, e assim a comparação entre sessões distintas mantém-se válida. Escolher a interpretação em função da carta que caiu retira sentido a todo o procedimento. A convenção adotada fica registada no caderno de leituras. Assim a comparação entre sessões distintas mantém-se válida ao longo dos meses. Decidir antes e não depois é o único requisito real.

O gesto como parte da prática

Há um aspeto deste tema que raramente se enuncia. O embaralhamento é a única parte da leitura em que as mãos trabalham sozinhas, e esse intervalo tem efeito sobre o estado de quem lê. Um minuto de gesto repetido baixa o ritmo, separa a leitura do que veio antes e cria uma fronteira reconhecível. É a mesma função que qualquer rotina cumpre antes de uma tarefa que exige concentração. Por isso convém não apressar esta fase mesmo quando o tempo é curto, já que ler cartas logo a seguir a uma conversa acesa produz interpretações marcadas por essa conversa. Um minuto de gesto repetido custa pouco e altera visivelmente o estado de quem lê. É a mesma função que qualquer rotina cumpre antes de uma tarefa exigente. Ler cartas logo após uma conversa acesa produz interpretações marcadas por ela. Por isso convém não apressar esta fase mesmo quando o tempo é curto. O intervalo separa a leitura do que veio antes e cria uma fronteira reconhecível.

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