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Como formular perguntas ao tarot

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A variável que mais determina a leitura

Entre tudo o que se pode alterar numa sessão, a formulação da pergunta é o que mais altera o resultado. Muda mais do que a disposição escolhida, mais do que o baralho usado e mais do que a experiência de quem lê. A razão é simples: as cartas respondem àquilo que foi perguntado, e uma questão vaga produz uma resposta que serve para tudo e portanto para nada. A maior parte das leituras que não levam a lado nenhum falha nesta fase e não na interpretação, e quem corrige apenas este ponto melhora de imediato sem aprender uma única carta nova. Vale a pena testar isto com uma tiragem já feita: reformular a pergunta e reler as mesmas cartas produz frequentemente uma leitura completamente diferente. O exercício demonstra em poucos minutos aquilo que nenhuma explicação convence. Convém guardar duas ou três tiragens antigas para esse fim. Servem também para medir a evolução da própria leitura ao longo dos meses.

Escrever antes de embaralhar

O procedimento mais eficaz custa um minuto e quase ninguém o pratica. Escreve-se a pergunta por extenso antes de tocar no baralho. No papel, a imprecisão aparece de imediato, ao passo que na cabeça uma questão vaga parece perfeitamente clara. A versão final é quase sempre mais curta do que a primeira, e o próprio ato de reformular resolve por vezes a dúvida sem necessidade de tiragem. Convém também guardar essa formulação junto ao registo, porque avaliar uma leitura passados meses exige saber exatamente o que foi perguntado, e a memória reconstrói a pergunta de forma favorável ao que aconteceu. Esse enviesamento de reconstrução é bem conhecido e afeta qualquer avaliação feita sem registo escrito. Basta uma linha no caderno para o neutralizar por completo. A pergunta escrita vale mais do que a pergunta recordada. A memória adapta-a sempre ao desfecho conhecido.

Perguntas que não funcionam

Quatro tipos falham com regularidade previsível. As de sim ou não reduzem um instrumento com enorme gama de nuances a duas respostas. As que incidem sobre o pensamento de terceiros devolvem material sobre quem pergunta, porque um baralho não tem acesso ao interior de outra pessoa. As que pedem datas procuram no baralho uma informação temporal que ele não contém. E as que substituem uma verificação possível, como perguntar se determinada empresa é sólida em vez de consultar as contas, usam cartas para evitar o trabalho que resolveria a questão. Existe ainda um quinto tipo problemático, que são as perguntas com pressuposto embutido, como perguntar quando é que determinada pessoa vai mudar de atitude. A formulação assume a mudança como certa e retira ao baralho a possibilidade de a contestar. Perguntas com pressuposto produzem sempre respostas que confirmam o pressuposto. Convém verificar se a formulação contém algo que ainda não está estabelecido.

Perguntas que funcionam

As formulações produtivas partilham uma característica: dirigem-se à posição de quem pergunta e não ao mundo exterior. O que está a ser ignorado nesta situação. O que pesa realmente nesta decisão. O que se perde ao seguir determinado caminho. O que sustenta este bloqueio. Que expectativa não foi comunicada. Todas estas admitem resposta utilizável e nenhuma exige previsão. Convém notar que todas devolvem a decisão a quem pergunta em vez de a retirarem, e essa é precisamente a razão pela qual produzem leituras que servem para alguma coisa. Convém notar também que estas formulações permitem avaliação posterior, ao contrário das que pedem previsões sobre terceiros. Uma leitura avaliável é a única que permite melhorar como leitor. Sem avaliação possível, cem leituras ensinam tanto como uma. É este o critério que separa prática de repetição.

Transformar uma pergunta fechada

A conversão de uma questão binária numa questão aberta segue um método reconhecível. Identifica-se o que está por trás do sim ou do não, porque quem pergunta se deve aceitar uma proposta quer na verdade saber o que ela traz e o que exige. Substitui-se então a pergunta original por duas ou três formulações abertas que cubram esse conteúdo. Quem faz esta operação em voz alta com outra pessoa nota que ela costuma aceitar a troca de imediato, porque percebe que ganha material em vez de perder uma resposta. Este passo é o mais útil que um leitor pode oferecer a quem chega com uma pergunta fechada. Convém fazê-lo antes de embaralhar e não depois, porque uma vez as cartas na mesa a conversa desloca-se para elas. A ordem dos passos é aqui tão importante como o conteúdo da reformulação. Uma vez viradas, as cartas atraem toda a atenção disponível. A reformulação torna-se então quase impossível de fazer com isenção.

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Perguntas sobre outras pessoas

Este é o pedido mais frequente e o que exige maior reformulação. Perguntar o que alguém sente, o que vai fazer ou se vai voltar produz uma narrativa agradável e sem base verificável. A conversão faz-se dirigindo a questão à relação e não à pessoa: o que sustenta este vínculo, o que o desgasta, o que não está a ser dito por quem pergunta, que passo está disponível. Convém acrescentar que fazer afirmações sobre pessoas ausentes levanta um problema adicional, já que elas não estão presentes para contestar aquilo que se diz a seu respeito. Esta consideração é ética antes de ser técnica e vale mesmo quando a leitura é feita apenas para uso próprio. Aquilo que se conclui sobre alguém numa tiragem tende a influenciar o trato seguinte com essa pessoa. O efeito é real mesmo quando a conclusão não é partilhada com ninguém. Por isso convém formular sobre a relação e não sobre a pessoa.

Quando a mesma pergunta regressa

A repetição de uma questão é o sinal mais claro de que algo não está a funcionar. Quem retira cartas várias vezes sobre o mesmo assunto procura uma resposta específica e não informação, e cada tiragem que não confirma o desejado aumenta a inquietação em vez de a resolver. Convém reconhecer o padrão logo na primeira repetição e parar. Quando a questão regressa noutro dia, o passo produtivo consiste em reler o registo anterior. Se a repetição se prolonga por semanas com desconforto crescente, a resposta necessária não está no baralho e convém procurar apoio adequado. Um sinal prático é o alívio durar cada vez menos tempo depois de cada tiragem. Quando esse padrão se instala, uma pausa de algumas semanas resolve mais do que qualquer nova disposição. O registo antigo permanece disponível durante essa pausa. Relê-lo costuma bastar para dispensar uma nova tiragem.

Perguntas que não devem ser feitas

Certas questões não pertencem a uma leitura e enunciá-las com clareza protege tanto quem pergunta como quem lê. Diagnósticos médicos, prognósticos de doença, avaliação de risco em situações de segurança pessoal, validade de contratos e decisões financeiras de peso exigem quem tem competência nessas matérias. Uma resposta dada nesses domínios pode adiar uma consulta necessária, e esse é o dano mais grave que esta prática permite. Convém ter preparada uma formulação para encaminhar sem despachar, porque recusar responder é, nesses casos, a resposta mais responsável disponível e aumenta a confiança em vez de a diminuir. Uma frase preparada com antecedência evita a hesitação no momento, que costuma ser lida como desinteresse. Encaminhar com indicação concreta funciona melhor do que uma recusa genérica. Nomear o tipo de profissional adequado é já metade da ajuda. Uma indicação vaga equivale, na prática, a não encaminhar.

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