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Como usar as cartas de tarot

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Mais do que uma forma de uso

A maior parte das descrições reduz o tarot à consulta sobre o futuro, e essa redução deixa de fora quase tudo o que a prática permite. Um baralho serve para organizar uma decisão, para desbloquear trabalho criativo, para rever um período que passou, para preparar uma conversa difícil e para acompanhar um processo ao longo de meses. Cada uma dessas aplicações usa a mesma ferramenta com uma pergunta diferente, e o resultado varia sobretudo em função dessa pergunta. Quem conhece apenas a leitura preditiva utiliza uma fração pequena daquilo que setenta e oito imagens oferecem. Cada aplicação usa a mesma ferramenta com uma pergunta diferente. O resultado varia sobretudo em função dessa pergunta e não do método. Um baralho serve para organizar uma decisão e também para rever um período que passou. Serve ainda para preparar uma conversa difícil e para acompanhar um processo longo. A leitura preditiva é apenas uma entre várias aplicações.

A carta do dia

A prática mais simples é também a que mais ensina. Retira-se uma carta pela manhã sem pergunta específica e observa-se durante um minuto, anotando o que ficou. À noite regressa-se à anotação e compara-se com o que o dia trouxe. A utilidade não está em acertar previsões mas em criar um ponto de comparação diário entre uma imagem e uma experiência concreta. Ao fim de alguns meses, o caderno mostra que certas cartas aparecem em circunstâncias reconhecíveis, e essa associação forma-se sozinha. É a forma mais eficaz de aprender o baralho e exige menos de cinco minutos por dia. O caderno mostra ao fim de meses que certas cartas aparecem em circunstâncias reconhecíveis. Essa associação forma-se sozinha e não exige esforço de memória. A utilidade não está em acertar previsões mas em criar um ponto de comparação diário. Cinco minutos por dia bastam para o método funcionar.

Trabalhar uma decisão

Perante uma escolha entre dois caminhos, uma tiragem organiza aquilo que a discussão interior não organiza. Dispõem-se duas cartas para cada opção, uma para o que ela oferece e outra para o que ela custa, e uma quinta carta para o que está a ser ignorado em ambas. O valor deste método não reside na resposta mas na obrigação de nomear o custo de cada caminho, porque a maior parte das decisões difíceis trava precisamente aí. Convém escrever a leitura antes de decidir e reler passados alguns dias, e essa releitura mostra com frequência que a decisão já estava tomada e faltava reconhecê-la. A obrigação de nomear o custo de cada caminho é o valor real deste método. A maior parte das decisões difíceis trava precisamente nesse ponto. Convém escrever a leitura antes de decidir e relê-la passados alguns dias. A releitura mostra com frequência que a decisão já estava tomada.

Uso criativo

Quem escreve, desenha ou compõe encontra neste baralho uma ferramenta de desbloqueio pouco conhecida. Uma carta tirada ao acaso fornece uma restrição, e restrições resolvem o problema da página em branco melhor do que a liberdade total. Aplica-se a personagens, a situações, a atmosferas e a viragens de enredo. O procedimento não exige qualquer crença no sistema e funciona pela mesma razão que qualquer estímulo aleatório funciona: obriga a mente a estabelecer ligações que não faria sozinha. Muitos autores usam baralhos desta maneira sem lhes atribuir outra função, e essa aplicação é inteiramente legítima. Uma restrição resolve o problema da página em branco melhor do que a liberdade total. O procedimento não exige qualquer crença no sistema. Funciona pela mesma razão que qualquer estímulo aleatório funciona. Aplica-se a personagens, a atmosferas e a viragens de enredo.

Acompanhar um processo longo

Existe um uso que poucos praticam e que dá resultados consideráveis. Convém escolher um tema que se estenda por meses, como uma mudança de trabalho, uma recuperação ou um projeto, e tira-se uma carta no primeiro dia de cada mês com a mesma pergunta. Guardam-se as leituras numa página só. Ao fim de meio ano, a sequência mostra a evolução do processo de um modo que as leituras isoladas não mostram. Este método aproveita a característica mais útil do baralho, que é fornecer imagens estáveis para comparar estados sucessivos, e revela padrões que passam despercebidos no dia a dia. As leituras guardadas numa página só permitem ver a evolução de meio ano. O baralho fornece imagens estáveis para comparar estados sucessivos. Uma carta por mês com a mesma pergunta basta para o método. Ao fim de meio ano, a sequência mostra o que as leituras isoladas não mostram.

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Preparar uma conversa

Antes de uma conversa difícil, três cartas ajudam a organizar a preparação. A primeira representa aquilo que se pretende alcançar, a segunda aquilo que a outra pessoa provavelmente teme, e a terceira aquilo que convém não dizer. Este uso não prevê o que acontecerá e obriga a considerar a perspetiva do interlocutor, tarefa que a tensão costuma impedir. A terceira carta é a mais valiosa, já que a maioria das conversas difíceis descarrila por causa de uma frase que teria sido melhor guardar. Quem experimenta este método antes de uma reunião ou de uma discussão familiar nota diferença imediata. A terceira carta é a mais valiosa das três. A maioria das conversas difíceis descarrila por causa de uma frase que teria sido melhor guardar. Considerar a perspetiva do interlocutor é o que a tensão costuma impedir. Três cartas chegam para essa preparação.

O que não fazer com o baralho

Alguns usos criam problemas e convém nomeá-los. Tirar cartas repetidamente sobre a mesma questão até obter a resposta desejada destrói o valor da prática e alimenta ansiedade. Ler sobre a saúde de alguém em vez de consultar um médico é perigoso e adia o que importa. Tirar cartas sobre terceiros ausentes devolve material sobre quem pergunta e nada sobre eles. Usar o baralho para decidir questões que exigem informação concreta, como um contrato ou um investimento, substitui a verificação necessária por uma imagem. E consultar o baralho várias vezes ao dia indica geralmente ansiedade e não interesse, situação em que convém parar durante algum tempo. Repetir a mesma questão até obter a resposta desejada alimenta ansiedade. Ler sobre a saúde de alguém em vez de consultar um médico adia o que importa. Consultar o baralho várias vezes ao dia indica ansiedade e não interesse. Nessa situação convém parar durante algum tempo. Usar o baralho para questões que exigem informação concreta substitui a verificação necessária.

Encontrar o próprio uso

Destas aplicações resulta uma conclusão prática. Não existe um uso correto do tarot e existe um uso que corresponde a cada pessoa e a cada período. Alguns leem todos os dias durante anos, outros abrem o baralho três vezes por ano em momentos de decisão, outros usam-no apenas em contexto criativo. Nenhuma dessas escolhas é superior. Convém experimentar várias formas durante alguns meses e manter aquelas que produzem algo verificável, abandonando as restantes sem hesitação. Um instrumento usado de acordo com a necessidade real vale mais do que um instrumento usado segundo a descrição de outra pessoa. Convém manter apenas o que produz algo verificável. As restantes formas abandonam-se sem hesitação. Não existe um uso correto e existe um uso que corresponde a cada período. Alguns leem todos os dias e outros abrem o baralho três vezes por ano. Nenhuma dessas escolhas é superior às outras. Convém experimentar várias formas durante alguns meses antes de fixar uma.

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