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Dez de Paus: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • carga

  • responsabilidade

  • sobrecarga

  • aguentar

  • esforço

  • proximidade do fim

  • delegação

  • limites

  • perseverança

  • pressão

  • compromissos

  • excesso

  • revisão

  • tenacidade

  • conclusão

  • aliviar

  • prioridade

  • necessidade de ajuda

  • peso do êxito

  • determinação

  • limite próprio

  • alívio

  • sentido da realidade

  • simplificação

  • último troço

Não se lhe vê o rosto

Esta imagem esconde o que qualquer outra carta do naipe mostra, ou seja, a própria pessoa. Um homem caminha carregando dez paus pesados, e o feixe resulta tão largo que o tapa dos ombros para cima. Vai dobrado quase por completo, com as costas arqueadas e o passo curto. Os paus não estão atados nem equilibrados, e por isso os abraça com ambos os braços ao mesmo tempo. À frente, no fim do campo, distingue-se uma aldeia pequena, suficientemente perto para se alcançar e ainda assim a certa distância. Ninguém caminha a seu lado e ninguém partilha a carga. Os campos em volta estão lavrados, ou seja, a ceifa já se fez e isto é o acarreto posterior. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o terceiro decanato de Sagitário e Saturno, ou seja, o peso entra num signo leve por natureza, e essa combinação explica a carta inteira: o entusiasmo de Sagitário continua ali e agora suporta um peso que não tinha previsto. Por isso a carga não é feita de desgraças mas de compromissos aceites. Os campos lavrados em volta confirmam que a ceifa já se fez e isto é o acarreto.

Dez de uma vez

Contar os paus proporciona uma análise imediata. O dez constitui o número da conclusão em cada naipe, e por isso não se trata aqui de uma única tarefa pesada mas de todas ao mesmo tempo. Cada uma resulta suportável em separado, já que são projetos, compromissos e intenções que no seu tempo entusiasmaram. A dificuldade é aqui aritmética e não uma questão de fraqueza, visto que ninguém está construído para levar um naipe inteiro num único feixe. Convém notar que os abraça em vez de os arrastar, ou seja, tudo isto se assumiu de maneira voluntária. O feixe que lhe tapa o rosto constitui o pormenor mais agudo, já que diz que a sobrecarga não apenas cansa mas além disso impede ver a direção. A aldeia da frente lembra que o fim está realmente perto, e precisamente por isso parar agora parece impossível. A proximidade da meta trabalha aqui contra o seu portador e não a seu favor.

Rever os sins já ditos

Esta carta descreve o estado de quem leva mais do que lhe compete, e isso não aconteceu por acaso. Cada pau do feixe se levantou num momento em que parecia razoável, útil ou difícil de recusar. É assim que se produz sempre a sobrecarga: um sim razoável após outro ao longo de meses. Por isso o primeiro passo não é um esforço heroico mas um inventário. Anota-se tudo o que está agora sob a sua responsabilidade, incluindo os assuntos invisíveis que ninguém conta. Em geral aparecem três ou quatro pontos a que nunca se deu um consentimento formal e que se herdaram. Ver a lista no papel resulta mais útil do que uma semana de aplicação adicional, já que ninguém revê uma carga que jamais pesou, e esse inventário faz-se uma vez e conserva-se porque fará falta antes do previsto. Bastam uma linha por assunto e uma marca de quem o pediu. Três ou quatro pontos costumam resultar herdados sem consentimento algum.

Nem todo o feixe pertence a quem o leva

No feixe há paus que pertencem a outros, e isso merece uma pergunta. Uma parte considerável do que as pessoas levam consigo assumiu-se por hábito, por culpa ou pela convicção de que ninguém mais o faria bem. Uma parte corresponde a um companheiro que se foi embora, a um familiar que parou ou a uma versão da vida que terminou há dois anos. Devolver algo parece uma derrota e com mais frequência constitui a correção de um erro contabilístico. Convém começar por aquele assunto cuja continuação resulta mais difícil de justificar, visto que costuma ser precisamente o que ninguém pediu. Perguntá-lo diretamente resulta possível, já que uma quantidade espantosa de trabalhos continua apenas porque vinha continuando, e cada pau devolvido é um pau acima do qual se volta a ver o caminho. A devolução faz-se de maneira explícita e não por desaparecimento gradual.

O custo de fazer tudo sozinho

A ausência de uma segunda pessoa na imagem constitui a dificuldade real e não o peso. Quem se habituou a que o fará antes por si próprio constrói uma vida em que tudo passa por ele. Isso funciona às mil maravilhas em volumes pequenos e desmorona-se de uma vez ao aumentar o volume. Delegar resulta mais lento este mês e bastante mais rápido no próximo semestre, e isso é justamente o que os sobrecarregados nunca começam. Convém escolher uma tarefa repetitiva, delegá-la e admitir que não sairá impecável. O que se compra com isso não é tempo livre mas a possibilidade de voltar a ver o caminho. Ninguém virá retirar esses paus enquanto não se pedir diretamente, e esse pedido sai mais barato do que parece e é recusado menos vezes do que se supõe. Delegar uma única tarefa repetitiva muda a situação mais do que somar horas. O que se compra com isso não é tempo livre mas a possibilidade de voltar a ver o caminho.

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Terminar não é aguentar

A aldeia está perto, e por isso esta carta se lê mal com facilidade. Quando a meta quase se vê, o movimento natural consiste num esforço final. Às vezes isso resulta acertado, e é também a razão pela qual as pessoas chegam à linha sem nada dentro. Comprova-se com honestidade se o prazo é real ou autoimposto, já que uma quantidade espantosa de prazos foi fixada pelos seus próprios executores. Se for real, determina-se o passo mínimo aceitável e adia-se o resto. Se não o for, é permitido parar no campo, pousar os paus e continuar depois de descansar. Chegar esgotado ensina o seu portador que o êxito tem exatamente esse aspeto, e essa lição sai cara porque se transfere para o projeto seguinte e transforma a exceção em regra. Convém comprovar por isso quem fixou realmente o prazo atual.

O êxito tem peso

Há aqui uma contradição que convém nomear. A maior parte do feixe está composta por coisas que correram bem. Apareceram mais clientes porque o trabalho era bom. Caíram responsabilidades porque essa pessoa é fiável. Multiplicaram-se os projetos porque as ideias resultaram acertadas. A ninguém se avisa de antemão que o êxito produz manutenção, e essa manutenção nunca se declara como rubrica à parte. Cada êxito acrescenta em silêncio um pau, e nenhum deles parece pesado no instante em que chega. Compreendê-lo muda aquilo a que se acede, visto que as oportunidades novas começam a avaliar-se pelo seu preço real, que inclui todos os meses posteriores e não apenas o primeiro. Nem toda boa oportunidade merece ser carregada. O preço real de uma oportunidade calcula-se sobre o ano inteiro e não sobre o seu primeiro mês.

E se se continuar a caminhar

Este naipe termina com uma advertência sobre a direção e não sobre o esforço. Quem leva semelhante feixe tempo suficiente deixa de percecionar o peso, e isso parece força ao passo que constitui o perigo verdadeiro. O mundo estreita-se até aos poucos passos seguintes, o juízo piora e o trabalho que era motivo de orgulho transforma-se numa lista que é preciso despachar. As pessoas nesse estado raramente se desmoronam de maneira visível e tornam-se eficazes e sem alegria. Convém notar que o dez é o último número deste naipe, ou seja, aqui se mostra um fogo que nunca foi colocado no seu sítio. Depois não vem outro pau mas um valete que segura um só e começa de novo, e esse estado costuma notar-se pelo desaparecimento da curiosidade antes do que pelo cansaço. O cansaço nota-se e a curiosidade apaga-se em silêncio. O dez é o último número deste naipe, e depois começa de novo um valete com um só pau.

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