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Dois de Paus: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • planeamento

  • visão

  • decisão

  • expansão

  • previsão

  • coragem

  • possibilidade

  • direção

  • ambição

  • preparação

  • escolha

  • sair do habitual

  • longa distância

  • confiança

  • exploração

  • avanço

  • iniciativa

  • risco

  • horizonte amplo

  • determinação

  • avaliação

  • disponibilidade

  • movimento

  • ocasião

  • passo seguinte

Um globo pequeno numa mão grande

Esta carta está construída inteiramente à volta de uma troca de escala. Um homem está de pé sobre a muralha de um castelo e segura na mão direita um globo terrestre tão pequeno que poderia girá-lo entre os dedos. Um dos paus está fixado no muro a seu lado, ao passo que o outro o segura com a mão esquerda sem esforço algum, ou seja, um está enraizado e o outro resulta transportável. Vai bem vestido e apoia-se sobre pedra, o que indica algo sólido já construído aqui. Vê-se de costas, olhando por cima de um mar cinzento para uma margem distante. Sobre o muro há lírios brancos e rosas vermelhas dispostos em forma de cruz, ou seja, o desejo e o pensamento claro postos em ordem. Nada na imagem parece apressado e ninguém o persegue. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o primeiro decanato de Áries e Marte, e Marte no signo que rege confere aqui uma determinação sem hesitação, de modo que demorar-se nesta carta contradiz a sua própria natureza. Existe por isso um apoio prévio sobre o qual sustentar a decisão.

Um enraizado, outro na mão

Esses dois paus cumprem tarefas completamente distintas, e aí reside o sentido. O fixado no muro representa tudo o que já está construído: a posição, as competências, a segurança e aquilo que não se discute. O que está na mão representa o possível, e convém notar que não está cravado em parte alguma. Sustentar ambos ao mesmo tempo descreve com exatidão o estado desta carta: nem segurança completa nem liberdade completa mas o lugar intermédio. O globo da sua mão mostra o tamanho do possível, e que caiba numa única palma significa que tudo isso continua por agora abstrato. Está de pé sobre pedra, ou seja, não se trata de um salto desesperado a partir do zero mas de uma escolha a partir de solo firme. O dois de cada naipe constitui a primeira divisão, e no naipe do fogo significa escolher direção para uma energia que no ás não tinha nenhuma; a cruz de lírios e rosas repete o mesmo, já que essa ordem se estabeleceu antes da reflexão atual.

A etapa do planeamento

O ás trouxe a faísca, e esta carta é o momento em que se a leva a sério. O projeto transforma-se aqui em empreendimento, ou seja, deixa de ser meramente entusiasmante e começa a colocar perguntas práticas. Reúne-se informação, fazem-se cálculos, fala-se com quem já o fez e imagina-se a versão realmente executável. Isso constitui um trabalho verdadeiro ainda que nada se veja ainda. Saltar esta etapa não convém, visto que uma faísca sem plano atrás morre perante o primeiro obstáculo. Também não convém instalar-se nela de maneira indefinida, já que planear resulta cómodo e estica-se sem limite. Fixa-se uma data de decisão e anota-se hoje mesmo. A carta merece desenhar-se, e um mapa desenhado não constitui uma viagem, e distinguir ambos resulta simples: o mapa está pronto quando acrescentar pormenores deixa de mudar a decisão. A partir desse ponto, cada dado novo serve ao adiamento e não à escolha.

O cómodo não é necessariamente o certo

Está de pé sobre a sua própria muralha, ou seja, a situação que se pondera abandonar funciona bem. Isso é precisamente o que torna esta carta tão reconhecível, já que a fuga não se produz de uma desgraça mas da reflexão sobre deixar algo que correu bem. Ninguém do meio compreenderá o motivo, visto que de fora nada parece partido. O descontentamento resulta aqui silencioso: uma uniformidade, a sensação de um quarto que ficou pequeno, a suspeita de uma vida em piloto automático. Semelhantes sentimentos raramente encontram justificação numa folha de cálculo e ainda assim merecem ser levados a sério. Coloca-se uma pergunta honesta: se tudo começasse do zero, escolher-se-ia hoje esta situação? Quando a resposta se repete em negativo, o facto de as coisas correrem bem não constitui uma razão para ficar, já que o que funciona retém melhor do que o que falha porque não dá motivo para o rever. Por isso estas decisões se adiam durante anos sem resistência externa alguma.

O mundo é mais pequeno do que parece

O globo da sua mão cumpre um trabalho tranquilizador. Diz que aquilo que se pondera resulta abarcável por enorme que pareça às três da madrugada. A maior parte dos projetos grandes decompõe-se numa lista que cabe numa página, e a maior parte dos seus pontos resultam correntes e carentes de brilho. Convém anotá-la de verdade, visto que um medo indefinido continua enorme ao passo que um medo desdobrado em doze passos concretos costuma encolher. Averigua-se o custo real do primeiro passo em dinheiro, tempo e risco, já que a estimativa atual é com toda a probabilidade uma conjetura. Fala-se com duas pessoas que o tenham feito e pergunta-se-lhes o que resultou inesperado, e com mais frequência descobre-se que o assunto é mais difícil do que se quereria e bastante mais viável do que se temia, e ambos os achados chegam juntos e equilibram-se entre si. Convém perguntar pelo inesperado e não pelo conselho, já que os conselhos descrevem a vida de quem os dá.

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Olhar para lá do mês seguinte

Esta carta olha a longa distância e exige o mesmo. Ele não olha o pátio que tem por baixo mas a margem que hoje não alcançará. O horizonte de planeamento determina o que se considera possível, e a maioria não nota que vive com um horizonte de umas poucas semanas. Prova-se a pergunta dos três anos: onde se quer estar e o que teria de ser verdade até lá. Essa pergunta despoja de objeto uma parte das preocupações atuais e mostra que algumas comodidades saem demasiado caras. Muda além disso aquilo com que se transige no mês em curso, visto que com uma visão de três anos resulta mais fácil recusar distrações menores. O desfecho a essa distância resulta ingovernável, ao passo que a direção se escolhe por completo, e por isso a pergunta se coloca sobre a direção e não sobre o estado das coisas. A resposta modifica além disso aquilo que se aceita nesta mesma semana.

Decisão em vez de deriva

Esta carta encerra um perigo que convém nomear. O homem da muralha é capaz de permanecer ali muitíssimo tempo segurando o seu globo e olhando o mar, e nada na imagem o obriga a mover-se. Planear parece avançar e investigar parece comprometer-se, e nenhuma das duas coisas muda o que quer que seja. Quem há mais de um ano dá voltas à mesma mudança já não está a planear mas a esquivar-se. Determina-se o que realmente se espera, visto que com mais frequência se trata de uma sensação de certeza que nunca chegará. Fixa-se uma data de decisão e dá-se o primeiro passo irreversível, algo que torne o projeto real também para os outros. Decidir não ir é também uma decisão e traz um alívio considerável, e o caro não acaba por ser nenhuma das duas opções mas o ano passado sobre a muralha. Esse custo não aparece em cálculo algum e só se descobre olhando para trás.

O que se levará consigo

Antes de atravessar esse mar pensa-se o que encontrará lugar no barco. Expandir-se não significa abandonar tudo o que se construiu, e o pau do muro não está fixado em vão. As competências, o bom nome, os contactos e a capacidade de julgar ganha com dificuldade transferem-se todos. O que em geral não se transfere é a identidade construída nesse lugar, o papel desempenhado durante anos e o modo como as pessoas se habituaram a ver essa pessoa. Conta-se que isso resultará estranho, já que muitos acham a perda da posição local mais dura do que as dificuldades práticas. Decide-se de antemão o que se conservará e o que se deixa realmente para trás, visto que fazê-lo agora poupa descobri-lo a meio caminho, e a carta não exige incendiar o castelo mas deixar de o tratar como o mundo inteiro. A perda da posição local costuma pesar mais do que as dificuldades práticas.

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