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Leitura de tarot para o futuro

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O que uma leitura sobre o futuro pode e não pode fazer

Esta é a expectativa mais comum e a que exige a delimitação mais cuidadosa. Um baralho não contém informação sobre acontecimentos que ainda não ocorreram, e nenhuma estrutura das setenta e oito cartas fornece datas, nomes ou desfechos fixos. O que uma leitura sobre o futuro pode fazer é diferente e continua a ser considerável: descrever a direção em que uma situação tende se nada mudar, identificar os fatores que a empurram nesse sentido e apontar onde a intervenção ainda é possível. Essa distinção entre tendência e destino separa uma leitura útil de uma promessa vazia, e convém enunciá-la antes de começar, sobretudo quando se lê para outra pessoa que chega com expectativas diferentes. Vale a pena perguntar logo de início o que a pessoa espera obter, porque a resposta orienta toda a sessão e evita mal-entendidos que só apareceriam no fim. A pergunta também protege quem lê, pois torna explícito aquilo que não vai ser fornecido. Sem esse acordo inicial, a mesma leitura pode ser recebida como insuficiente ou como excessiva.

Tendência em vez de previsão

A diferença entre os dois conceitos determina toda a prática deste tema. Uma previsão afirma que algo acontecerá; uma tendência descreve para onde as forças atuais apontam. A segunda formulação é mais rigorosa e também mais útil, porque inclui implicitamente a condição de que nada se altere. Quando alguém pergunta se conseguirá determinado emprego, a resposta em forma de tendência descreve o que a candidatura tem a seu favor, o que a enfraquece e o que ainda pode ser trabalhado. Esta abordagem devolve a decisão e a ação a quem pergunta, ao passo que uma previsão a retira, o que explica por que motivo tantas pessoas saem de leituras preditivas com uma sensação de impotência. Existe aqui um paradoxo conhecido: quanto mais categórica a previsão, menos margem de ação sobra a quem a ouve, e portanto menos útil se torna a consulta. Uma leitura que devolve capacidade de agir vale mais do que uma que devolve certeza. A certeza dura poucos dias e a capacidade de agir permanece.

Estruturas que funcionam

Para questões orientadas ao que vem a seguir, algumas disposições produzem melhores resultados. Uma estrutura de quatro posições cobre a maioria dos casos: a situação tal como está, a força que a empurra numa direção, o que poderia alterar esse curso, e o desfecho provável se nada mudar. A terceira posição é a mais valiosa e a mais ignorada, porque contém a única informação sobre a qual é possível agir. Outra estrutura útil divide o tempo em blocos: as próximas semanas, os próximos meses e o que se desenha para além disso, formulação que evita datas precisas e mantém a leitura ancorada em períodos verificáveis. Uma terceira estrutura, menos usada e bastante eficaz, compara o cenário em que se age com o cenário em que se deixa correr, atribuindo duas cartas a cada um. A comparação lado a lado costuma tornar a decisão evidente sem qualquer previsão. A terceira posição de cada estrutura é quase sempre a que contém a informação em falta.

O problema das datas

A pergunta sobre quando é a mais frequente e a menos respondível. Vários sistemas atribuem tempos às cartas, associando naipes a estações ou números a semanas e meses, e todos esses sistemas foram acrescentados sem base na estrutura do baralho. Produzem respostas com aparência de precisão e sem qualquer fiabilidade demonstrável. A abordagem honesta consiste em substituir a pergunta sobre a data por uma pergunta sobre condições: o que precisa de estar reunido para que isto aconteça. A resposta a essa versão é utilizável, porque enumera fatores concretos, enquanto uma data inventada apenas cria uma expectativa que a realidade quase sempre desmente. Convém acrescentar que uma pessoa à espera de uma data anunciada tende a suspender decisões próprias enquanto espera, custo que raramente entra na conta. Substituir a data por condições devolve-lhe o controlo sobre o calendário. Enumerar três condições concretas produz uma lista acionável em poucos minutos.

Quando o desfecho é desfavorável

Uma tiragem que aponta para uma direção difícil coloca uma questão de método e outra de linguagem. Do lado do método, o passo seguinte consiste em regressar às posições anteriores e identificar qual delas descreve um ponto onde a intervenção é possível, porque um desfecho lido isoladamente desperdiça toda a informação que o precede. Do lado da linguagem, convém formular com cuidado, já que uma frase categórica sobre um futuro difícil pode ficar anos na cabeça de quem a ouve e influenciar decisões reais. Descrever a tendência, nomear os fatores que a sustentam e indicar onde ela pode ser alterada cumpre a função sem produzir esse dano. Quando a questão toca saúde, segurança ou perdas financeiras de peso, o encaminhamento para quem tem competência é a resposta correta e não uma evasiva. Reconhecer o limite aumenta a confiança de quem ouve em vez de a diminuir.

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A repetição da mesma pergunta

Quem pergunta sobre o futuro tende a repetir a consulta, e essa repetição merece atenção porque indica quase sempre ansiedade e não interesse. Cada nova tiragem que não confirma o desejado aumenta a inquietação em vez de a resolver, e o ciclo instala-se depressa. Convém reconhecê-lo na primeira repetição e parar. Quando a mesma questão regressa noutro dia, o passo produtivo consiste em reler o registo da tiragem anterior em vez de embaralhar de novo. Se a consulta sobre o mesmo assunto se prolonga por semanas e o desconforto aumenta, a resposta necessária não está no baralho e convém procurar apoio adequado. Um sinal prático de que esse ponto foi ultrapassado é a consulta tornar-se diária e o alívio durar cada vez menos tempo depois de cada tiragem. Nesse caso, uma pausa de algumas semanas resolve mais do que qualquer nova disposição. O registo antigo continua disponível durante a pausa e costuma bastar.

Acompanhar em vez de prever

Existe um método que aproveita melhor as capacidades reais do instrumento e que poucos praticam. Em vez de tentar ver o desfecho de uma vez, retira-se uma carta no primeiro dia de cada mês com a mesma pergunta e guardam-se as respostas numa página única. Ao fim de seis meses, a sequência mostra a evolução do processo com uma nitidez que nenhuma leitura isolada alcança. Este método usa aquilo que o baralho faz bem, que é fornecer imagens estáveis para comparar estados sucessivos, e produz um registo verificável. Custa poucos minutos por mês e substitui com vantagem a tentativa de antecipar tudo numa só sessão. Ao fim do período, convém escrever meia página comparando a primeira carta com a última, exercício que costuma revelar uma direção invisível no dia a dia. Guardar tudo numa página única facilita essa comparação e ocupa pouco espaço.

O que fica de uma leitura bem feita

O que fica de uma boa leitura sobre o futuro não é o conhecimento do que vai acontecer mas outra coisa, mais modesta e mais utilizável. Quem sai dela costuma ter identificado a direção em que as coisas se movem, reconhecido dois ou três fatores que a sustentam e localizado o ponto onde ainda pode agir. Nada disto exige acertar em previsões. Uma leitura que produz estes três resultados foi bem sucedida ainda que nenhum acontecimento se confirme, e uma leitura que acerta por acaso numa previsão sem produzir nenhum deles serviu de pouco a quem a recebeu. Este critério é o mais útil para avaliar a própria prática ao longo do tempo, porque não depende do acaso e pode ser aplicado a qualquer sessão registada. Aplicá-lo a dez leituras antigas dá um retrato bastante nítido do nível atual.

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