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Leitura diária de tarot

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Uma prática pequena com efeito grande

A leitura diária é o exercício mais recomendado a quem aprende e o mais abandonado ao fim de poucas semanas. O procedimento ocupa menos de cinco minutos e consiste em retirar uma carta pela manhã, observá-la e anotar três linhas. Ao fim do dia, regressa-se à anotação e compara-se com o que aconteceu. A sua força não está em prever o dia mas em criar, todos os dias, um ponto de comparação entre uma imagem e uma experiência concreta. Ao fim de alguns meses, a associação entre carta e circunstância forma-se sozinha, e essa é a via mais rápida para conhecer o baralho. O procedimento ocupa menos de cinco minutos por dia. É o exercício mais recomendado e o mais abandonado ao fim de poucas semanas. A comparação diária entre imagem e experiência é o que produz o efeito. A associação entre carta e circunstância forma-se sozinha. Essa é a via mais rápida para conhecer o baralho. Ao fim de alguns meses a familiaridade instala-se sem esforço.

Como formular a pergunta diária

A pergunta determina o valor do exercício e convém escolhê-la com cuidado. Perguntar o que vai acontecer hoje transforma a prática em previsão e produz avaliações inúteis, porque quase qualquer carta encontra correspondência num dia inteiro. Funcionam melhor formulações que apontam para a atenção: o que precisa de cuidado hoje, o que convém não esquecer, qual a qualidade a manter presente. Algumas pessoas preferem não fazer pergunta alguma e limitam-se a observar a carta, o que também funciona. O que não funciona é mudar de pergunta todos os dias, já que a comparação ao longo do tempo perde base. Perguntar o que vai acontecer hoje transforma a prática em previsão. Quase qualquer carta encontra correspondência num dia inteiro. Formulações que apontam para a atenção funcionam melhor. Algumas pessoas preferem observar a carta sem qualquer pergunta. O que não funciona é mudar de pergunta todos os dias. A comparação ao longo do tempo perde então a sua base.

O registo em três linhas

O formato curto é deliberado, porque um registo longo abandona-se depressa. A primeira linha nomeia a carta. A segunda descreve em poucas palavras o que a imagem sugere hoje, sem consultar manual. A terceira, escrita à noite, indica se algo do dia correspondeu. Este formato cabe num caderno pequeno e mantém-se durante meses. Quem escreve meia página por dia desiste em duas semanas. A quantidade certa é aquela que se cumpre nos dias maus. Este formato cabe num caderno pequeno e mantém-se durante meses. Quem escreve meia página por dia desiste em duas semanas, e quem escreve três linhas continua um ano. A quantidade certa é aquela que se cumpre também nos dias maus, e essa regra vale para toda a prática. Um registo longo abandona-se depressa e um registo curto mantém-se. A primeira linha nomeia a carta e a segunda descreve o que ela sugere. A terceira, escrita à noite, indica se algo do dia correspondeu.

O que a comparação revela

Ao fim de dois ou três meses, a releitura do caderno produz descobertas que nenhum manual fornece. Certas cartas aparecem em circunstâncias reconhecíveis e formam associações pessoais. Descobre-se também um enviesamento próprio, como a tendência para ler determinada carta sempre pelo lado negativo. Aparecem cartas que se repetem em períodos inteiros e que assinalam um tema em curso. E torna-se visível a diferença entre a leitura que veio da imagem e a leitura que veio da expectativa. Estas quatro descobertas justificam sozinhas o exercício, mesmo que nenhuma previsão diária tenha acertado. Certas cartas passam a aparecer em circunstâncias reconhecíveis. Descobre-se também um enviesamento pessoal na leitura. Aparecem cartas que se repetem em períodos inteiros. Torna-se visível a diferença entre a leitura e a expectativa. Estas descobertas justificam sozinhas o exercício. Nenhum manual fornece esse tipo de informação pessoal.

Quando a carta parece não corresponder

Sucede com frequência que o dia não teve relação visível com a carta, e essa situação merece tratamento honesto. A tentação consiste em forçar uma correspondência, encontrando no dia qualquer detalhe que se ajuste. Esse hábito estraga o exercício, porque elimina a possibilidade de errar e portanto a possibilidade de aprender. Convém anotar simplesmente que não houve correspondência. Um caderno em que tudo bate certo contém apenas interpretação elástica. Metade das entradas sem correspondência é sinal de honestidade. O caderno passa então a conter informação e não apenas ajuste. Um caderno com metade das entradas assinaladas assim é mais útil do que um caderno em que tudo bate certo, já que o primeiro contém informação e o segundo contém apenas interpretação elástica. Forçar uma correspondência elimina a possibilidade de errar. Convém anotar simplesmente que não houve correspondência.

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Variações úteis

Depois de alguns meses com o formato base, algumas variações mantêm o interesse. Retirar a carta à noite para o dia seguinte permite uma previsão mais nítida e uma avaliação mais clara. Retirar duas cartas, uma para o que ajuda e outra para o que atrapalha, acrescenta uma relação sem aumentar a carga. Retirar uma carta por semana em vez de por dia serve para períodos ocupados e mantém a continuidade. Reler ao domingo as sete cartas da semana revela padrões invisíveis no dia a dia. Convém mudar apenas uma variável de cada vez para não perder a comparabilidade. Reler ao domingo as sete cartas da semana revela padrões invisíveis. Retirar a carta à noite permite uma avaliação mais clara. Duas cartas, uma para o que ajuda e outra para o que atrapalha, acrescentam relação. Uma carta por semana serve para períodos ocupados. Convém mudar apenas uma variável de cada vez. Alterar tudo ao mesmo tempo faz perder a comparabilidade acumulada.

Desvios que esvaziam o exercício

Alguns desvios comuns esvaziam esta prática. Retirar uma segunda carta quando a primeira desagrada elimina o valor do exercício. Consultar o manual antes de olhar impede a formação do olhar próprio. Interromper o registo mantendo a tiragem produz rotina sem aprendizagem. Quando a prática gera inquietação, convém suspendê-la algumas semanas. Consultar o manual antes de olhar a imagem impede a formação do olhar próprio. Tratar a carta como aviso e organizar o dia em função dela transforma um exercício de atenção numa fonte de ansiedade. E interromper o registo mantendo a tiragem produz uma rotina sem aprendizagem, situação frequente e facilmente evitável. Quando a prática se torna fonte de inquietação em vez de curiosidade, convém suspendê-la durante algumas semanas. Tratar a carta como aviso transforma atenção em ansiedade. Retirar uma segunda carta quando a primeira desagrada elimina o valor do exercício.

O que esperar ao fim de um ano

Convém manter a expectativa no lugar certo, e para isso serve um retrato realista. Nos primeiros meses, as leituras diárias parecerão vagas e as correspondências escassas. Por volta do terceiro mês, algumas cartas passam a ser reconhecidas sem consulta. Perto do sexto, a releitura começa a mostrar padrões. Perto do sexto, a releitura do caderno começa a mostrar padrões. Ao fim de um ano, o baralho terá sido percorrido várias vezes em contextos diferentes, e essa é uma base que nenhum estudo teórico substitui. Trezentas e sessenta e cinco observações registadas valem mais do que qualquer curso, e o custo total é de cinco minutos por dia. Trezentas e sessenta e cinco observações registadas formam uma base concreta. Nenhum estudo teórico substitui essa acumulação. Por volta do terceiro mês, algumas cartas passam a ser reconhecidas sem consulta.

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