Nove de Espadas: significado da carta de tarot

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Sentado na cama durante a noite
Uma pessoa incorporou-se na cama e cobre o rosto com ambas as mãos, com o tronco inclinado para diante. O fundo é completamente negro e não se distinguem os limites do quarto. Na parede, atrás dela, nove espadas alinham-se na horizontal uma sobre a outra e ocupam o muro inteiro. No lado da cama há talhada uma cena em que alguém derruba outro. A manta que a cobre está decorada com rosas e com casas do zodíaco em cores vivas que contrastam de maneira brusca com a negrura da cena. Não há mais ninguém no quarto. As espadas pendem da parede e nenhuma a tocou. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o segundo decanato de Gémeos e Marte, ou seja, o impulso entra no pensamento e volta-se para dentro, e essa combinação explica por que razão a inquietação se dirige aqui contra o seu próprio portador. A talha do lado da cama remete além disso para algo vivido durante o dia. A manta, em contrapartida, diz com as suas cores que esse lugar não resulta em si perigoso. As rosas e as casas do zodíaco contrastam de maneira brusca com a negrura da cena. Não há mais ninguém no quarto.
Nove espadas na parede
O nove de cada naipe precede a conclusão e representa a última etapa da recolha. No naipe do ar isso significa que tudo o que não se elaborou se apresenta de uma vez. As nove espadas estão penduradas e nenhuma caiu, e esse é o pormenor mais importante da carta: pendem e não se cravaram. Isso descreve com exatidão a natureza da inquietação noturna, já que o que fere nela não costuma ser o ocorrido mas o que pode ocorrer. A talha da cama remete para algo vivido durante o dia, ao passo que a manta diz com as suas cores que esse lugar não é em si perigoso. A negrura não é a cor do quarto mas o estreitamento do campo visual. As nove espadas pendem e nenhuma caiu, e esse é o pormenor mais importante. Descreve com exatidão a natureza da inquietação noturna, já que o que fere é o que pode ocorrer.

Do juízo noturno não convém fiar-se
O estado descrito pertence a um tramo de tempo determinado e tem uma base corporal. Em plena noite a perceção inclina-se com clareza para o pior, a capacidade de avaliar probabilidades enfraquece e o estado atual toma-se por permanente. Por isso nenhuma conclusão formulada nessas horas serve de apoio. O procedimento é tangível: nenhuma decisão, nenhuma carta e nenhuma conversa importante a essa hora. Anota-se numa folha o que vai chegando e adia-se até à luz do dia. O procedimento resulta tangível: nenhuma decisão, nenhuma carta e nenhuma conversa importante a essa hora. Anota-se numa folha o que vai chegando e adia-se de maneira deliberada até à luz do dia. A maioria descobre ao reler essa folha de dia que boa parte do escrito já não existe. Em plena noite a capacidade de avaliar probabilidades enfraquece de maneira notável. Por isso nenhuma conclusão formulada nessas horas serve de apoio.
O imaginado não é o que vem
Nenhuma espada caiu da parede, e isso convém lembrá-lo muitas vezes. O mecanismo da ansiedade consiste em reproduzir uma possibilidade completa com os seus pormenores e as suas sensações, com o que o corpo responde como se já tivesse ocorrido. Isso não é fraqueza mas imaginação a trabalhar fora do seu sítio. Elabora-se anotando numa frase concreta: o que se teme exatamente, em que prazo e qual seria o primeiro passo se chegasse a ocorrer. Depois de escrever esses três pontos, a maior parte da ansiedade encolhe, visto que a sua condição de crescimento é a indeterminação. Pode perguntar-se além disso quantas provas existem a favor dessa possibilidade. O mecanismo consiste em reproduzir uma possibilidade completa até o corpo responder como se já tivesse ocorrido. Isso não é fraqueza mas imaginação a trabalhar fora do seu sítio.
O que pode fazer-se de dia
De noite pode fazer-se pouco e de dia pode fazer-se muito, e os assuntos deste naipe elaboram-se de dia. Se o mesmo se repetir várias noites seguidas, faz falta uma ação concreta e não mais reflexão. Pode tratar-se de comprovar um número, de fazer uma pergunta a alguém, de fixar um prazo ou simplesmente de meter o assunto na agenda. O que fica pendente cresce de noite, ao passo que o que está na agenda não cresce. Se o mesmo se repetir várias noites seguidas, faz falta uma ação concreta e não mais reflexão. Converte-se a lista noturna em três movimentos diurnos definidos com a maior precisão possível. Nove é o número de assuntos e não o seu peso. O que fica pendente cresce de noite, ao passo que o que está na agenda não cresce.
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O corpo antes da mente
Em semelhante estado a abordagem mais eficaz resulta corporal e não racional. A falta de sono intensifica qualquer resposta negativa, e a ansiedade estraga o sono, com o que o círculo se fecha. Convém começar pelo básico: horários fixos, menos luz de ecrãs antes de dormir, esforço físico real durante o dia, menos estimulantes. Tudo isso parece corrente e atua com mais fiabilidade do que qualquer tentativa de se convencer a si próprio. Não se elaboram os assuntos na cama, visto que isso associa o lugar do sono à ansiedade. Levanta-se, muda-se de quarto, ocupa-se de outra coisa e regressa-se quando aparecer o sono. A falta de sono intensifica qualquer resposta negativa, e a ansiedade estraga o sono. Convém começar pelo básico e não pela análise. Horários fixos, menos luz de ecrãs antes de dormir e esforço físico real durante o dia. Não se elaboram os assuntos na cama, visto que isso associa o lugar do sono à ansiedade.
Não faz falta estar sentado em solidão
Aparece uma única pessoa, e isso é o que mais merece mudar-se. Quem se encontra em semelhante estado costuma calar, seja por não encontrar um assunto concreto que contar, por considerar inútil a conversa ou por não querer incomodar ninguém de noite. Entretanto, dizê-lo em voz alta muda de imediato o tamanho da situação ainda que o interlocutor nada faça. Conta-se de dia a uma pessoa o estado em que se está, sem pedir uma solução e descrevendo o que ocorre. Convém atender além disso ao seguinte: se isto durar semanas, se o sono não regressar ao habitual e se o efeito se estender às horas diurnas, falar com um médico ou com um profissional constitui um passo adequado e não um exagero. Isso fica fora do que se resolve com força de vontade. Dizê-lo em voz alta muda de imediato o tamanho da situação. Conta-se de dia a uma pessoa o estado em que se está, sem pedir uma solução. Quem se encontra assim costuma calar por não encontrar um assunto concreto que contar. Convém atender além disso à duração do estado.
A manta está decorada
Essa manta é a única parte luminosa da carta e está ali todo o tempo. As rosas e as casas do zodíaco dizem que na vida desta pessoa há coisas belas e ordenadas que agora simplesmente não se veem. Isso não é um consolo mas um aviso: o campo visual está estreitado e por isso não serve para julgar o conjunto. Não se resolvem nesta etapa questões como que espécie de pessoa é alguém ou se a vida merece a pena. Depois do amanhecer a vista alarga-se, e só então o juízo volta a servir de apoio. Imediatamente a seguir vem o dez de Espadas, onde o pior por fim ocorre, ao passo que naquela carta o céu se aclara. Não se resolvem nesta etapa questões de longo alcance sobre si próprio. Depois do amanhecer a vista alarga-se e só então o juízo volta a servir de apoio.






