Nove de Paus: significado da carta de tarot

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Ferido e ainda de pé
Nesta imagem uma pessoa atravessou com evidência algo considerável. Apoia-se num pau, leva a cabeça ligada e o peso do corpo repartido de maneira desigual. Atrás dele, oito paus estão alinhados como uma paliçada cravada numa pequena elevação. Não olha de frente mas de esguelha, com um olhar alerta e cansado. Os ombros adiantam-se um pouco, e essa é a postura de quem espera pelo contratempo seguinte. Entretanto nada o ataca neste instante, e a paisagem de trás está vazia e tranquila. Está esgotado e não derrotado, e continua de pé. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o segundo decanato de Sagitário e a Lua, ou seja, num signo aberto por natureza entram a cautela e a memória do vivido, com o que o otimismo se torna condicional, e essa combinação explica uma expressão que não aparece em nenhuma outra carta do naipe. A paisagem de trás está vazia: nada o ataca neste instante. Está esgotado e não derrotado, e continua de pé.
Oito atrás e um na mão
A disposição dos paus conta a história inteira. Os oito de trás representam o já percorrido: as voltas anteriores, os recuos e tudo o que o trouxe até este lugar, e são exatamente os mesmos oito que voavam na carta anterior, já aterrados. O nono, o que tem na mão, significa que continua dentro do assunto e que resta ainda um troço. Precisamente por isso a carta resulta tão exata: não descreve nem o começo da prova nem o seu fim. A ligadura significa um dano real e não uma dificuldade imaginária, e por isso o esgotamento está aqui merecido. O olhar de esguelha é uma vigilância útil perante uma ameaça verdadeira e desgastante quando se prolonga. Os paus de trás formam uma paliçada que protege e ao mesmo tempo lembra a quantidade do percorrido. O nove de cada naipe precede de imediato a conclusão, e no naipe do fogo significa a última resistência antes do fim. A aterragem desses oito é precisamente o que agora lhe cabe sustentar. O nono, o que tem na mão, significa que resta ainda um troço.

Mais perto do fim do que parece
O que aqui se descreve é um período difícil que se aproxima do seu termo enquanto quem o atravessa não o perceciona. A distância entre a situação real e a imaginada constitui a sua dificuldade principal. Um esforço longo distorce a perceção do avanço, já que o último troço parece sempre o mais pesado ainda que seja o mais curto. Por isso procura-se uma medida objetiva em vez de se apoiar na sensação: o que resta na realidade, contado em tarefas, semanas ou passos. A maioria descobre que a lista real é curta. Anota-se e olha-se quando o cansaço protestar. Depois risca-se hoje mesmo um ponto, visto que a sensação muda com o impulso e não apenas com o descanso, e essa lista mantém-se à vista porque de memória parece sempre mais comprida. A diferença entre a lista escrita e a lembrada resulta neste estado de quase o dobro. Um esforço longo distorce a perceção do avanço.
Esta cautela tem uma história
A expressão alerta vem de algum lado, e esta carta não exige fingir que não existe. Quem se tornou desconfiado, defensivo ou lento a confiar foi ensinado a isso por alguma coisa. A cautela não constitui um defeito de carácter mas uma cicatriz com uma função. A pergunta verdadeira não consiste em saber se estava justificada quando se formou mas se ajuda hoje. Uma vigilância completamente razoável no ano passado pode sair cara neste ano, visto que fecha portas que na realidade estão abertas. Comprova-se em doses pequenas em vez de a desmontar inteira: aceitar uma ajuda, dizer a verdade a alguém, assumir um risco assumível. Depois olha-se o que aconteceu realmente, já que as provas movem uma pessoa mais do que qualquer decisão de se tornar mais aberta, e começa-se pelo caso mais pequeno possível, onde o custo de errar resulta claramente baixo. O êxito desse caso transfere-se para o seguinte melhor do que qualquer raciocínio. A cautela não se desmonta inteira mas comprova-se por partes.
Falar antes de ser obrigado
Na imagem não há mais ninguém, e isso constitui uma dificuldade e não um modelo. Quem se encontra em semelhante estado costuma deixar de pedir ajuda justamente quando mais precisa dela, visto que se habituou a carregar tudo sozinho. Pode aparecer a convicção de que falar agora desvalorizaria tudo o que se suportou para se manter de pé. Não desvaloriza, e também não é preciso levar o nono pau a sós. Convém olhar o que pode delegar-se, repartir-se ou simplesmente contar-se a alguém que ajudará assim que souber. A maioria do meio desconhece até que ponto essa pessoa se aproximou do seu limite, já que se tornou extremamente hábil em escondê-lo, e uma única frase honesta costuma bastar para mudar essa situação. Pode além disso delegar-se uma parte do trabalho e não apenas da preocupação. A maioria do meio desconhece até que ponto essa pessoa se aproximou do seu limite.
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O descanso como parte do trabalho
Apoia-se no seu pau, e apoiar-se não é capitular. Quem se aproxima do fim de um esforço longo trata a recuperação como uma tarefa e não como um prémio por terminar. Isso significa dormir antes do prazo e não depois, comer a sério e ter um dia que não esteja cheio de assuntos menores. Continuar com o depósito vazio produz um trabalho que haverá de refazer-se, e essa é a variedade mais cara de velocidade. Convém notar que a pessoa da imagem está imóvel e não a lutar, já que parar e desistir são coisas distintas. Concede-se o descanso mais curto que realmente possa completar-se e depois completa-se, visto que um descanso interrompido não restaura e acrescenta culpa ao cansaço. Por isso resulta preferível um descanso curto e completo a um longo e partido. Parar e desistir são coisas distintas.
Não alargar a paliçada
Existe aqui um perigo de longo alcance que merece atenção. Depois de um número suficiente de voltas difíceis, algumas pessoas deixam de ocupar posições e passam unicamente a fortificar-se, e os paus de trás transformam-se com facilidade num muro. A vida torna-se mais segura e notavelmente mais estreita, visto que o seu dono deixa de estar disponível para o que quer que seja de novo. Revêem-se as decisões recentes e pergunta-se se se tomaram para conseguir alguma coisa ou para evitar mais uma ferida. De dentro ambas parecem razoáveis e produzem duas vidas completamente distintas. Se a defesa se transformou no modo principal de agir, isso indica a necessidade de abrir algo de maneira deliberada. A paliçada desta carta está atrás dele e não à sua volta, e essa diferença consiste num único passo e determina o resto de uma vida. Comprova-se olhando o que se empreendeu no último ano para conseguir algo e não para o evitar. De dentro ambas as decisões parecem razoáveis e produzem duas vidas distintas.
O que este período deixará
Do outro lado desta carta há algo que convém saber enquanto se a atravessa. Quem passou por um troço semelhante raramente lhe chama agradável e quase sempre diz que dele saiu mais sólido. Descobre-se que uma pessoa suporta mais do que supunha, e isso muda a sua relação com tudo o que vem depois. A ligadura deixa uma cicatriz, e a força também permanece. O que não convém é chegar ao fim e passar de imediato à dificuldade seguinte sem notar que esta se superou. Por isso pensa-se de antemão o que acontecerá depois do último pau: como se assinalará, como se descansará e como se fará a revisão. Resta uma volta até ao fim, e a única coisa que se requer é não parar aqui, já que parar no nono passo sai mais caro do que os oito anteriores juntos. Por isso o fim se pensa de antemão, enquanto ainda restam forças. Assinalar, descansar e rever são três coisas distintas e as três se planeiam.






