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O Diabo: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • consciência

  • liberdade

  • autoconhecimento

  • trabalho com a sombra

  • honestidade

  • libertação

  • lucidez

  • responsabilidade

  • clareza

  • liberdade de escolha

  • aceitação de si

  • discernimento

  • descoberta

  • coragem

  • limites

  • reconhecer a tentação

  • sobriedade

  • autodeterminação

  • desprendimento

  • hábito

  • desejo

  • atenção

  • sentido da realidade

  • força interior

  • novo começo

Começar pelas proporções

O Diabo começa por jogar com as proporções. Uma figura cornuda enche quase toda a carta, enorme e esmagadora, ao passo que os dois que estão por baixo parecem pequenos e secundários. Está sentada sobre metade de um cubo, sobre um bloco com face superior e sem metade inferior, e essa é uma imagem da verdade que se sustenta exatamente até alguém colocar uma segunda pergunta. Tem cabeça de bode, asas de morcego, torso humano e patas de ave. Na testa leva uma estrela invertida, a mão direita está erguida e a esquerda segura uma tocha dirigida para baixo e acesa, que no entanto não ilumina nada. Nos pescoços das duas figuras de baixo há correntes, e desde que apareceram cresceram a ambos cornos pequenos e cauda. O fundo é completamente negro, sem paisagem, sem céu e sem saída visível. Depois um segundo olhar descobre que essas correntes são suficientemente largas para se tirarem pela cabeça.

Composta com partes alheias

Um olhar atento a esta figura descobre que nada nela lhe pertence. A cabeça de bode, as asas de morcego, as patas de ave e o torso humano procedem de quatro seres distintos e formam juntos algo que não existe na natureza. Nisso consiste a sua primeira mensagem, já que uma dependência nunca é uma coisa autónoma mas está sempre composta de pedaços de vida real. A estrela invertida da testa inverte a ordem e coloca os sentimentos acima do que deveria dirigi-los, e é exatamente o mesmo símbolo que a estrela em posição normal, com a única diferença da direção. A sua tocha aponta para baixo, ou seja, arde sem permitir que ninguém veja nada, e essa é uma imagem precisa do prazer sem compreensão. A metade do cubo por baixo dela é uma verdade sem fundamento, uma explicação que funciona até à comprovação. Os cornos e a cauda pequenos cresceram apenas depois da chegada, e isso mostra que a pessoa se vai parecendo pouco a pouco com aquilo a que está ligada.

Por que ficar parece bom

O erro de leitura mais frequente consiste em tomar o Diabo por uma imagem do mal. Descreve algo bastante mais corrente: esses modos de se comportar que funcionam com fiabilidade e que precisamente por isso se conservam. Nada retém uma pessoa durante muito tempo sem lhe dar algo em troca, e esse algo costuma ser bastante real. Um copo acalma de verdade. Um ecrã distrai de verdade. Uma relação difícil dá proximidade de verdade. O trabalho excessivo dá sensação de valor de verdade. Precisamente por isso falham aqui as boas decisões: eliminam o comportamento sem compensar aquilo que esse comportamento cumpria. Eliminar o copo significa eliminar também a calma, e por isso o copo regressa. Resulta mais útil perguntar que tarefa resolve esse hábito e o que poderia resolvê-la de outro modo, já que sem resposta a essa pergunta qualquer decisão aguenta exatamente até à primeira tarde difícil.

Olhar a corrente com honestidade

As correntes largas constituem a mensagem verdadeira e ao mesmo tempo mais incómoda da carta. Significam que muito do que se considera impossível resulta na realidade possível se for feito. Não se trata de uma acusação, já que saber que a corrente é larga não a torna leve. No entanto transfere a pergunta das circunstâncias para as decisões, ou seja, para o único lugar onde o trabalho resulta possível. Convém separar o verdadeiramente impossível daquilo que não se quer pelo seu preço alto. Ambas as coisas são completamente legítimas e sentem-se de maneira completamente distinta. A frase sobre a impossibilidade de deixar o trabalho soa definitiva, ao passo que a frase sobre não querer renunciar a essa segurança resulta honesta e deixa espaço para o movimento. Contar durante uma semana quantas vezes se diz não posso quando se quer dizer não quero reduz o Diabo de maneira notável, e essa redução não procede de uma mudança na situação mas da recuperação da autoria das decisões.

A vergonha mantém o círculo fechado

Uma parte desta carta não trata do próprio hábito mas do que vem imediatamente a seguir. Produz-se uma recaída, depois chega o comentário interno severo, e é precisamente esse comentário que produz o desconforto que depois se quererá calar. Aí se fecha o círculo, já que sem vergonha seria bastante mais pequeno. A vergonha empurra além disso para o esconderijo, e por isso os temas que mais ajuda precisam são os que menos se comentam. Convém notar que as duas figuras estão de pé lado a lado e não se olham, ou seja, o isolamento faz parte do padrão. Costuma ajudar o movimento contrário: contá-lo a uma pessoa que não vá alarmar-se. A recaída trata-se como informação e não como sentença, e a atenção dirige-se ao que aconteceu na hora anterior, onde com mais frequência se descobrem cansaço, fome ou uma conversa que deixou resíduo.

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Argumentos que parecem razoáveis

Resulta notável no Diabo até que ponto soa convincente tudo o que se pronuncia no seu território. Esta semana é especial. Está merecido. Uma vez não muda nada. A partir do mês que vem tudo será diferente. Estas frases não são estúpidas e são quase sempre parcialmente verdadeiras, e é justamente isso que as torna eficazes. A razão não discute aqui com o hábito mas trabalha para ele e fornece uma justificação depois de a decisão já ter sido tomada. Reconhece-se pela repetição, já que uma exceção autêntica é rara ao passo que uma exceção justificada aparece todas as semanas. Anotar essas frases habituais e contar as suas aparições retira-lhes no papel a maior parte da sua força, visto que escritas umas a seguir às outras resultam monótonas ao passo que na cabeça cada uma parece nova.

Nem todo prazer é corrente

Esta carta usa-se às vezes para pôr sob suspeita tudo o que é agradável, e essa leitura não serve de nada. O prazer, o desejo, a ambição e a posse não são cativeiro mas parte de uma vida viva. A diferença não está no objeto mas na direção: escolher algo é liberdade, não ser capaz de o deixar é corrente. Uma comprovação útil consiste em renunciar a algo durante um prazo determinado e observar o que acontece. Se resultar fácil, tratava-se de prazer; se aparecer inquietação, trata-se de outra coisa. Outro indicador fiável é o ocultamento, visto que o tamanho do que se esconde diz mais do que a quantidade. A resposta ao Diabo que consiste em riscar tudo o que é agradável substitui uma rigidez por outra e deixa a situação igual, e essa rigidez além disso raramente aguenta um mês e depois regressa com sinal contrário.

A saída passo a passo

Visto que o Diabo aparece em situações realmente difíceis, convém descrever a saída com detalhe. O primeiro passo é notar, ou seja, ser capaz de ver o padrão como padrão e não como uma série de casos soltos. O segundo é nomear, de maneira simples e sem drama, já que uma descrição exata constitui metade do trabalho. O terceiro diz respeito à função, visto que nenhuma mudança se sustenta sem substituir aquilo que o hábito cumpria. O quarto diz respeito ao ambiente, já que a distância importa mais do que o carácter e a maioria das recaídas são simplesmente oportunidades que estavam ao alcance. O quinto é o apoio: uma pessoa, um grupo ou um acompanhamento profissional, visto que sozinho isto sai bem bastante menos vezes. O sexto consiste em contar de antemão com a recaída, e isso parece estranho e ajuda muito, já que uma recaída prevista não dá por terminado o caminho. E convém dizê-lo com clareza: quando se trata de uma dependência de uma substância, de se fazer mal ou de uma situação da qual não se vê saída, falar com um profissional resulta um passo adequado e não um exagero, e esta carta não o substitui.

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