O Mago: significado da carta de tarot

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realização
passagem da ideia à matéria
Uma mão em cima e outra em baixo
Um homem está de pé atrás de uma mesa baixa, com o braço direito erguido segurando um bastão apontado para o céu e o esquerdo apontando para a terra. Esse duplo movimento é a estrutura inteira da carta. Sobre a mesa estão os quatro instrumentos: um bastão, uma taça, uma espada e um disco, ou seja, os símbolos dos quatro palos do baralho. Sobre a cabeça paira o sinal do infinito e à cintura leva uma serpente que morde a própria cauda. A túnica é branca e o manto vermelho, cores da intenção limpa e da ação. Em volta crescem rosas vermelhas e lírios brancos, desejo e clareza a um tempo. Traz o número um, o começo indiviso da série.
Os quatro instrumentos sobre a mesa
Os objetos da mesa não são adorno e constituem o inventário de quem começa. O bastão é a vontade, a taça é o sentimento, a espada é o pensamento e o disco é o recurso material. Estão todos presentes e nenhum foi ainda tomado, e por isso a carta descreve capacidade disponível e não trabalho em curso. O sinal do infinito acima dele indica uma energia que não se esgota, e reaparecerá mais tarde na carta da Força. A serpente que morde a própria cauda significa um ciclo que se renova. O gesto das duas mãos é a fórmula clássica segundo a qual o que existe acima se reproduz abaixo, ou seja, a ideia desce à matéria. As flores dizem que tanto o desejo quanto a clareza estão em jogo. A túnica branca sob o manto vermelho indica que a intenção precede a ação e não o contrário. A serpente que morde a própria cauda à sua cintura significa um ciclo que se renova. O gesto das duas mãos repete a fórmula segundo a qual o que existe acima se reproduz abaixo. A ideia desce assim à matéria, e é isso que os quatro instrumentos tornam possível.

Ter os meios e usá-los
Dispor do necessário sem o ter posto em movimento é o estado que esta carta descreve. É um estado bastante comum e raramente reconhecido: a competência existe, o contacto existe, o tempo existe, e nada começou. Convém fazer o inventário por escrito, listando o que já está disponível em vez do que falta. A maior parte das pessoas descobre nessa lista dois ou três recursos que tinha esquecido. Depois escolhe-se um instrumento e usa-se esta semana, porque quatro instrumentos parados valem menos do que um em movimento. O Mago não espera pelas condições e trabalha com o que está sobre a mesa. Basta escolher um instrumento e reservar-lhe duas horas nesta semana. Quatro instrumentos parados valem menos do que um em movimento. Convém fazer o inventário do que já existe em vez do que falta. A maior parte das pessoas descobre nessa lista dois ou três recursos esquecidos.
A palavra que produz
Este arcano liga-se tradicionalmente à palavra e à sua força, e isso tem um sentido tangível. O que se anuncia em voz alta muda de estado: deixa de ser uma ideia privada e passa a ser um assunto existente. Por isso contar um plano a uma pessoa altera-o de imediato, e por isso convém escolher com cuidado o primeiro ouvinte. Também importa a precisão: quem consegue dizer o seu propósito numa frase costuma tê-lo entendido, e quem precisa de dez minutos ainda não. Escrever essa frase é um exercício curto e revelador, porque no papel a vaguidade aparece de imediato. A precisão aqui não é elegância mas ausência de névoa. Quem escreve essa frase descobre muitas vezes que o propósito estava menos claro do que supunha. No papel a vaguidade aparece de imediato e na cabeça permanece intacta. O que se anuncia em voz alta deixa de ser ideia privada e passa a ser assunto existente. Por isso convém escolher com cuidado o primeiro ouvinte.
A concentração como recurso
O Mago segura um único instrumento de cada vez, embora tenha quatro. Essa escolha é a lição prática da carta. Dispor de muitas capacidades produz dispersão com a mesma facilidade com que produz resultados, e a diferença está na direção. Convém determinar qual dos quatro terrenos exige agora atenção e conceder-lhe um prazo definido. Os restantes anotam-se numa lista de espera, e essa lista tranquiliza porque nada se perde. Costuma verificar-se que o interesse por metade do que ficou adiado desaparece sozinho ao fim de um mês, e isso é informação e não desleixo. A lista de espera cumpre a sua função precisamente por existir e não por ser executada. Dispor de muitas capacidades produz dispersão com a mesma facilidade com que produz resultados. A diferença entre uma coisa e outra está inteiramente na direção. Convém determinar qual dos quatro terrenos exige agora atenção e conceder-lhe um prazo.
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A sombra desta carta
Toda figura tem o seu reverso, e o desta é o uso da mesma força para outro fim. Quem sabe apresentar bem uma ideia sabe também apresentar bem uma ideia vazia, e quem lê depressa as pessoas sabe também empurrá-las sem que o notem. A comprovação é tangível e desconfortável: verificar se seria possível expor por inteiro o que se está a fazer àqueles a quem diz respeito. Quando a resposta é negativa, a força está a ser usada fora do lugar. Quem lê depressa as pessoas sabe também empurrá-las sem que o notem. Convém também vigiar a distância entre o que se promete e o que se entrega, porque nesta carta essa distância abre-se com facilidade e fecha-se com dificuldade. Quem a deixa crescer perde primeiro a confiança dos outros e depois a sua própria medida. A comprovação consiste em verificar se seria possível expor por inteiro o que se está a fazer. Quando a resposta é negativa, a força está a ser usada fora do lugar.
O jardim cultivado
As rosas e os lírios em volta não crescem sozinhos e o desenho mostra-os ordenados. Isso indica que este começo assenta em algo anterior: aprendizagem, tentativas falhadas ou trabalho de outros. O Mago não surge do nada e por isso a sua confiança tem fundamento. Quem se encontra nesta posição faria bem em reconhecer de onde vem aquilo de que dispõe, porque esse reconhecimento sustenta o que se construir a seguir. Também protege de um erro frequente: tomar por talento próprio aquilo que foi tempo, ajuda e circunstância. As flores são cultivadas e não silvestres, e essa diferença lê-se no próprio desenho. Reconhecer a origem dos próprios meios protege de tomar por talento o que foi tempo e circunstância. O Mago não surge do nada, e por isso a sua confiança tem fundamento. As rosas e os lírios em volta aparecem ordenados e não silvestres. Este começo assenta portanto em aprendizagem, tentativas falhadas ou trabalho de outros.
O primeiro depois do zero
O Mago segue-se ao Louco, e essa ordem explica ambos. O Louco traz disposição sem meios e o Mago traz meios com direção. A seguir vem a Sacerdotisa, que retém em vez de agir, e essa oposição repete-se ao longo da série. O número um é o começo indiviso, aquele em que a força ainda não se dividiu em escolhas, e por isso esta carta é a mais concentrada do baralho. A partir daqui a série avança para a divisão, o primeiro fruto e a estrutura. Neste momento tudo está sobre a mesa e nada foi ainda gasto. O sinal do infinito acima dele reaparecerá na carta da Força, e essa ligação não é casual. O um é o começo indiviso, aquele em que a força ainda não se dividiu em escolhas. A seguir vem a Sacerdotisa, que retém em vez de agir. Essa oposição repete-se depois ao longo da série inteira.






