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Oito de Paus: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • impulso

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  • disponibilidade

  • entrega

  • salto em frente

Um céu onde só há movimento

Poucas cartas prescindem de figuras humanas, e essa ausência resulta aqui deliberada. Oito paus atravessam um céu azul limpo com uma mesma inclinação, todos na mesma direção e à mesma velocidade. Em baixo estende-se uma paisagem verde atravessada por um rio, e ao longe veem-se colinas baixas. Nada se interpõe no seu caminho, nada os retém e nada os trava. Ainda conservam as suas folhas, ou seja, não se trata de um arsenal de armas mas de energia viva. Ninguém os lançou e ninguém os recolhe, visto que a carta mostra unicamente o voo. Descem ligeiramente, e isso significa que em breve tocarão terra. Tudo aqui é velocidade, direção e chegada. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o primeiro decanato de Sagitário e Mercúrio, ou seja, no signo das distâncias longas entram a mensagem e o deslocamento, e não existe no baralho uma correspondência astrológica mais exata para uma carta composta inteiramente de movimento. Os oito paus repetem além disso o número da carta, e essa contagem faz parte da sua mensagem. Ainda conservam as suas folhas, ou seja, esta força continua viva.

Todos numa mesma direção

Colocar esta carta junto ao cinco revela o sentido de imediato. Ali cinco paus apontavam em cinco direções e nada avançava. Aqui oito paus apontam numa única direção e tudo avança. Nisso consiste a lição inteira: a energia não produz nada enquanto não se alinhar, e uma vez alinhada cobre distância depressa. O céu limpo significa um caminho livre, e essa situação resulta invulgar e merece aproveitar-se. A ausência de figuras indica que esta etapa não é uma etapa de deliberação, já que as decisões se tomaram antes e o assunto agora é o voo. O ângulo da sua descida assinala a proximidade da meta, ou seja, os resultados aproximam-se. O oito de cada naipe constitui o número do movimento e do empuxo, e no naipe do fogo isso significa um impulso externo visível; o rio de baixo permanece além disso imóvel, e essa quietude sublinha a velocidade de cima. A paisagem inteira funciona como fundo imóvel de um único gesto. Nada nela compete com a trajetória dos paus.

As coisas vão acelerar

Um período lento termina e os acontecimentos começarão a chegar depressa. As cartas, as respostas, as propostas, as viagens e as decisões têm o costume de chegar em cachos e não uma a uma. A quem leva semanas à espera sem que nada aconteça, esta carta comunica que a espera se acaba. A preparação faz-se antes da onda e não dentro dela, visto que uma vez começada restará menos tempo para pensar. Liberta-se da agenda o que puder libertar-se, terminam-se os assuntos menores pendentes e põem-se em ordem os ficheiros. O que descarrila nos períodos rápidos não costuma ser uma decisão grande mas um monte de assuntos pequenos por fechar que de repente se atravessam no caminho. Quem se preparou de antemão move-se à velocidade desta carta e não atrás dela, e essa preparação ocupa uma tarde e determina o período inteiro. Omitida, transforma um período rápido num período desordenado.

Responder, enviar, reservar

A mensagem é aqui o assunto principal, e a ação exige-se hoje. Com toda a probabilidade existe uma carta por enviar, uma chamada por fazer ou uma resposta adiada. Enviam-se. Em situações que se movem depressa, a rapidez da resposta resulta quase sempre mais valiosa do que a sua exaustividade, visto que as oportunidades passam. Uma mensagem breve e clara enviada hoje supera uma mensagem elegante enviada na semana que vem. Escreve-se como está desenhada esta carta: direto, numa única direção e sem adornos supérfluos. Se houver vários assuntos pendentes, terminam-se de uma vez, já que esvaziar o monte inteiro muda o impulso de um modo que não se consegue avançando por partes. A diferença não reside na quantidade de trabalho feito mas no desaparecimento da carga de fundo. Essa carga permanece impercetível até ser retirada. Uma mensagem breve e clara enviada hoje supera uma elegante enviada na semana seguinte.

O impulso trabalha a favor do seu dono

Convém notar que nesta imagem ninguém empurra nada. Os paus já estão em voo, e esse estado difere de tentar mover algo imóvel. Com impulso disponível, tarefas que resultavam difíceis tornam-se de repente fáceis, e isso há que reconhecê-lo e aproveitá-lo em vez de o pôr em dúvida. O trabalho difícil faz-se durante o movimento, já que numa semana estagnada custará bastante mais. Agora é o momento de escolher a opção ambiciosa e não a prudente. O impulso resulta além disso frágil, e por isso se protege evitando interrupções desnecessárias e projetos novos. Mantém-se a direção atual até os paus tocarem terra, visto que mudar de rumo em pleno voo sai mais caro do que qualquer atraso. Por isso a direção se escolhe antes da descolagem e não depois das primeiras respostas.

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Não acrescentar complexidade agora

Os períodos rápidos trazem um perigo que convém nomear. Quando as coisas se movem, o momento parece excelente para acrescentar mais um projeto, mais uma oportunidade ou mais uma função. Esse impulso trava quem o segue com mais eficácia do que qualquer obstáculo. Convém notar que os oito paus são idênticos e voam igual, e que é precisamente essa uniformidade que torna possível semelhante velocidade. Termina-se o que está em voo antes de começar outra coisa. Diz-se que não ao novo e tentador este mês e anota-se para mais adiante, visto que não vai desaparecer. A complexidade constitui a causa principal de os períodos rápidos se transformarem em períodos parados, e um projeto anotado conserva-se ao passo que o impulso não se conserva. Comprová-lo resulta simples: a lista de projetos adiados continua quase idêntica ao fim de um mês. O impulso, em contrapartida, desaparece por completo nesse mesmo prazo. Diz-se que não ao novo e tentador este mês e anota-se para mais adiante. Termina-se o que está em voo antes de começar outra coisa, visto que a uniformidade é o que torna possível esta velocidade.

A velocidade não é a pressa

A distinção que se segue resulta útil. A velocidade consiste em avançar depressa numa direção escolhida de antemão, ao passo que a pressa consiste em decidir depressa sob a sensação de pressão. Os paus são velozes e não estão em pânico, visto que a sua direção se determinou antes da descolagem. Aplica-se assim: rápido na execução e a ritmo normal nas decisões. Se alguém pressionar para decidir de imediato uma questão importante, essa pressão constitui quase sempre uma técnica e não uma circunstância. Esta carta autoriza a mover-se depressa naquilo que já está pensado e não autoriza a saltar o pensamento. As mãos rápidas, a cabeça tranquila, e para distinguir ambos os estados basta perguntar se a direção se escolheu antes de aparecer a urgência. Se se escolheu sob pressão, trata-se de pressa por muito segura que pareça a decisão.

O que tocará terra e quando

Esses paus descem, ou seja, este período tem um fim natural. Os períodos rápidos resultam entusiasmantes e não constituem um estado permanente, e por isso não se constrói a vida inteira à volta do ritmo atual. Convém olhar o que restará quando tudo acalmar, visto que isso é precisamente o que se levará consigo. Uma parte resultará excelente e outra parte tosca pela velocidade, e ambas as coisas são naturais. Fixa-se uma revisão posterior ao esforço em vez de prometer pôr ordem algum dia. Reserva-se também um descanso real no fim, já que o fogo arde com força e depois deixa vazio quem o leva. Esse descanso reserva-se antes de começar a corrida, visto que depois já não se reserva, e convém fixar também a data dessa revisão enquanto ainda resta calma para o fazer. Depois do esforço essa data já não se fixa nunca.

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