Rainha de Paus: significado da carta de tarot

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O gato preto que as outras não têm
Nenhuma outra figura da corte leva consigo um animal assim, e por isso a compreensão começa por ele. Diante do trono está sentado direito um gato preto, voltado para fora, completamente imóvel e completamente concentrado. Atrás dele, sobre um trono de pedra em cujo espaldar e braços há leões e girassóis talhados, está sentada uma mulher. Na mão esquerda segura um girassol vivo e na direita um pau coberto de folhas, unindo assim a beleza e a força num mesmo instante. Os joelhos estão algo separados numa postura aberta e segura, sem contração alguma. O vestido é amarelo, cor da consciência, e o fundo é-o ainda mais. Atrás vê-se uma paisagem desértica e umas pirâmides distantes. Na correspondência de elementos é fogo em água, ou seja, uma chama alimentada pelo sentimento, e por isso a sua força se manifesta como calor e não como impulso, o que a distingue do cavaleiro do mesmo naipe. O gato a seus pés é além disso o único animal desse género em todo o baralho. O vestido é amarelo, cor da consciência, e o fundo é-o ainda mais.
Leões atrás e flores à frente
Os adornos deste trono cumprem duas tarefas sem ruído algum. Os leões talhados significam coragem, orgulho e força solar, e aparecem duas vezes a modo de confirmação. O girassol significa uma criatura que por si só se volta para a luz, e isso descreve o seu carácter tanto quanto a sua decoração. Segura uma flor com uma mão e um pau com a outra, ou seja, entre a suavidade e o poder não escolhe. O seu pau conserva as folhas, o que significa uma força viva e não petrificada. O gato preto constitui o pormenor mais curioso, visto que na tradição significa o instinto, o lado que não se pronuncia e aquilo que se reconhece antes de chegar o raciocínio. Está sentado diante dela e não escondido, ou seja, essa parte de si está reconhecida. A rainha constitui na ordem das figuras a etapa em que o elemento se volta para dentro, e por isso a sua força se manifesta como presença e não como arranque; nas cartas numéricas aproxima-se-lhe o seis deste naipe, com a diferença de que ali o reconhecimento chega de fora e aqui não faz falta de todo. As pirâmides do fundo repetem a paisagem do valete e do cavaleiro e ligam as três figuras numa série.

Ser inteira e dizê-lo
Esta carta exige deixar de baixar a própria voz. Muitas pessoas ajustam-se à sala em que entram, dobrando o seu entusiasmo, as suas opiniões e o seu carácter para não incomodar ninguém. Esta figura faz exatamente o contrário e nunca se desculpa por isso. Isso não significa nem ruído nem superioridade mas deixar de recortar partes de si próprio antes de entrar num sítio. Convém observar quando e diante de quem uma pessoa se torna mais pequena, já que a resposta costuma resultar inesperada. O que se perde em aprovação geral regressa em energia, visto que a contração se paga diariamente. As pessoas adequadas respondem melhor à versão completa, e comprová-lo leva uma semana anotando onde exatamente alguém se reduz e por causa de quem. A resposta costuma apontar para uma ou duas pessoas e não para uma regra geral. O que se perde em aprovação geral regressa em energia.
A confiança exercita-se
Esta mulher não parece segura por natureza mas alguém que deixou de fazer essa pergunta. A distinção resulta útil, já que as pessoas costumam esperar que a confiança chegue antes de agir. Funciona na ordem inversa: primeiro faz-se, depois descobre-se que nada aconteceu, e a confiança pousa depois. Convém começar por situações de risco baixo: exprimir uma opinião numa reunião sem importância ou recusar algo que se aceitaria por cortesia. Convém observar o que aconteceu na realidade, já que quase sempre resulta menos do que o esperado. A confiança parece-se mais com um hábito do que com uma qualidade e enfraquece quando se deixa de usar, e esta carta exige tratá-la como um músculo e não como um dom, um músculo que se fortalece com repetições pequenas. Convém começar por situações onde o custo de errar resulta claramente baixo.
As pessoas seguem o calor
Esta é uma das cartas mais magnéticas do baralho, e a razão merece entender-se. Não convence com argumentos mas com o facto de as pessoas terem vontade de ficar por perto. O calor cumpre um trabalho inacessível ao raciocínio, sobretudo quando é preciso reunir pessoas à volta de um assunto. Quem dirige alguma coisa transmite o seu estado mais depressa do que as suas instruções, e o meio organiza-se à sua volta sem o decidir. Isso traz também responsabilidade, já que um mau dia seu é pago por todos, ao passo que o entusiasmo aligeira o trabalho. Convém notar que o girassol se volta para a luz sem que ninguém o obrigue, visto que as pessoas se aproximam de maneira natural de quem não as esgota. O entusiasmo, por sua vez, aligeira o trabalho de todos. Quem dirige transmite o seu estado mais depressa do que as suas instruções.
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Confiar no gato
Esse gato preto merece uma análise à parte, já que explica como decide esta rainha. Não reúne primeiro toda a informação disponível mas perceciona algo e depois comprova-o. A quem tem uma impressão nítida sobre uma pessoa ou uma situação sem a poder fundamentar, esta carta propõe levá-la a sério em vez de a descartar. O instinto é um reconhecimento de padrões que funciona mais depressa do que o raciocínio, e por isso resulta acertado ali onde há experiência acumulada e notavelmente mais fraco onde tudo é novo. Anotam-se as impressões com data e releem-se meses depois para estabelecer até onde chega a sua fiabilidade. O instinto não se confunde com o medo, já que um dos dois é silencioso e o outro ruidoso, e o gato está sentado diante dela à vista, que é o seu lugar correto. O que se propõe não é seguir o instinto às cegas mas tratá-lo como informação que exige comprovação.
Para que o fogo não se torne queimadura
Toda figura da corte tem a sua sombra, e a daqui resulta bastante concreta. Com o enfado esta energia transforma-se em impaciência e depois em dureza, e quem irradia mais calor é capaz de queimar aqueles que o rodeiam. Convém prestar atenção à inveja, visto que aparece quando a confiança começa a apoiar-se na comparação. Convém prestar atenção também ao afastamento daqueles que não seguem o ritmo, já que nem todos trabalham a essa temperatura. O remédio não consiste em arrefecer mas em observar para onde vai a energia quando chega o enfado. Uma frase pronunciada com esse tom determinado lembra-se bastante mais tempo do que o seu autor supõe, e ninguém está obrigado a arder com a mesma intensidade. Isso não constitui um defeito de quem trabalha a outra temperatura.
Para onde vai realmente esta energia
Resta colocar uma pergunta prática. Há aqui energia disponível em abundância, e o assunto não consiste em tê-la mas em dirigi-la. Revê-se o mês passado e determina-se o que realmente encheu e o que esvaziou, independentemente do propósito declarado de cada ocupação. Com frequência descobre-se que uma obrigação considerada pesada sustentava o seu portador, ao passo que uma atividade que ele próprio defendia o consumia. Risca-se um ponto da segunda lista este mês e observa-se a diferença. A carta não exige fazer mais mas colocar o fogo onde realmente produza alguma coisa, e o girassol da sua mão não constitui um adorno mas a indicação do lado para o qual ela escolhe voltar-se, e essa escolha refaz-se todos os meses porque a lista anterior caduca depressa. Basta riscar um ponto da lista que esvazia para notar a diferença. O girassol da sua mão indica o lado para o qual ela escolhe voltar-se.






