Seis de Copas: significado da carta de tarot

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Uma criança que estende uma flor
Esta imagem une duas pessoas de estatura claramente distinta. Uma criança mais velha inclina-se e estende uma taça dourada com uma flor branca a outra mais pequena, com um movimento lento e concentrado. À volta há outras taças douradas, e em cada uma a mesma flor branca de cinco pétalas. Estão no pátio interior de uma casa antiga rodeada de degraus de pedra e um muro baixo. Ao longe afasta-se um guarda com uma lança, ou seja, este lugar resulta agora seguro. O sol é quente e nada na cena parece apressado. Vê-se uma entrega e não uma troca. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o segundo decanato de Escorpião e o Sol, ou seja, o calor entra em águas profundas, e o pesado torna-se recordável sem dor, e essa combinação faz desta carta uma das poucas onde o passado aparece a dar frutos. O guarda que se afasta informa além disso de que neste lugar a proteção já não faz falta. As construções antigas continuam de pé, de modo que se trata de um lugar com história.
Flores que crescem dentro das taças
Os símbolos convergem aqui numa só ideia: o passado é capaz de dar frutos. As taças contêm flores e não líquido, ou seja, o conservado continua a crescer em vez de estagnar. A flor é branca e tem cinco pétalas, onde o branco significa pureza de intenção e as cinco pétalas repetem o contorno humano. A criança mais velha inclina-se em vez de simplesmente estender o braço, ou seja, quem dá desceu de maneira voluntária, e esse é um gesto de bondade e não de esmola. As construções antigas continuam de pé, o que indica um lugar com história e não um cenário novo. O guarda que se afasta é o pormenor mais fácil de não notar, visto que diz que aqui a proteção já não faz falta. Tudo isso compõe uma recordação segura e não uma recordação embelezada, e a diferença entre ambas consiste em que a primeira dá forças e a segunda deixa peso. Comprova-se pelo estado em que se fica uma hora depois de ter fechado a recordação. O primeiro repõe forças e o segundo deixa peso, e não há mais critério do que esse.

O que se pode tomar da memória
O passado oferece agora alguma coisa útil. Pode tratar-se de uma recordação, de um velho amigo, de um lugar conhecido ou de uma ocupação abandonada há tempo que regressa às mãos. O traço distintivo é que aporta calor e não arrependimento. Precisamente por isso convém tomá-lo de verdade: rever essas fotografias, fazer essa chamada adiada durante anos, caminhar por essa rua conhecida, retomar aquilo que agradava na infância. Não se trata de uma fuga mas de uma reposição, já que a própria história de uma pessoa é um recurso do qual se pode beber. Pode perguntar-se também de outro modo: em que período essa pessoa mais se parecia consigo própria. A resposta costuma assinalar o que agora falta. Rever essas fotografias ou percorrer essa rua conhecida custa pouco e atua depressa. Retomar o que agradava na infância pertence ao mesmo apartado.
Bondade sem contrapartida
Aqui não há troca e há apenas entrega, e essa é a lição mais prática da carta. A criança mais velha não toma nada da pequena e não espera nada. Atos assim tornam-se raros na vida adulta, visto que a maioria das relações leva dentro algum cálculo. Entretanto o seu efeito supera em muito o seu custo: uma carta que não persegue fim algum, uma ajuda sem propósito, uma palavra amável dita na ausência daquele a quem se refere. Esta carta propõe fazer algo assim esta semana escolhendo uma pessoa que não o vá devolver de imediato. Convém prestar atenção também a receber essa bondade de outros, já que muitos dominam apenas metade dessa igualdade. O efeito desses atos supera em muito o seu custo precisamente porque são raros. Convém escolher para isso alguém que não o vá devolver de imediato. Convém prestar atenção também a receber essa bondade de outros.
Para que isto não se torne domicílio
Esta carta tem uma sombra que convém nomear. Uma recordação quente é capaz de se transformar em habitação, e quem nela se instala deixa de construir o seu presente. O critério resulta direto: se voltar ao passado deixa o seu portador mais forte ou mais vazio. O primeiro é reposição e o segundo é fuga. Convém atender à afirmação de que em certo período tudo era melhor, visto que a memória filtra com toda a coerência as dificuldades desse mesmo tempo. Convém atender também à competição com a própria versão anterior, que já não existe. Do passado bebe-se e para ele não se emigra, e as duas crianças desta carta estão num pátio e não fechadas nele. A memória filtra as dificuldades desse mesmo tempo que agora parece leve. Competir com a própria versão anterior resulta além disso uma batalha impossível.
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Quem pôs ali o que há agora
Esta carta propõe um inventário que se faz raríssimas vezes. As capacidades atuais, a maneira de olhar as coisas e o ofício que há nas mãos foram colocados ali por alguém bastante cedo. Um mestre, um familiar, um vizinho ou um amigo que nunca mais se voltou a ver. A maioria deles ignora o que exatamente deu, já que no instante de o fazer esses atos pareciam insignificantes. Apartam-se vinte minutos para anotar os seus nomes, e a lista resultará mais comprida do que o previsto. Aos que continuam vivos comunica-se de maneira concreta e não com palavras gerais. Isso faz duas coisas: informa a outra parte e devolve a quem escreve a compreensão de que está feito e não cresceu do nada. A maioria deles ignora o que deu exatamente, visto que no seu tempo esses atos pareciam menores. Aos que continuam vivos diz-se de maneira concreta e não com palavras gerais.
Tratar assim quem vem atrás
A entrega desta imagem vai de cima para baixo, do mais velho para o mais novo, e isso não é casual. Quem trabalha há muito tempo num campo possui coisas de um valor enorme para um principiante e de custo quase nulo para si. Uma frase que explica, a apresentação de uma pessoa, um aviso feito a tempo, e tudo isso sai barato e atua com força. Dá-se por iniciativa própria sem esperar pelo pedido, visto que o principiante costuma ignorar o que convém perguntar. Convém atender ao modo, já que entre inclinar-se e condescender a distância é curta. A criança mais velha desta carta inclinou-se, e essa só postura constitui toda a cortesia necessária. Quem recebeu a flor hoje será quem a estenderá amanhã. Dá-se por iniciativa própria, já que o principiante costuma ignorar o que convém perguntar.
O lugar do seis neste naipe
O seis chega em todos os naipes depois da turbulência do cinco e cumpre o trabalho da reparação. O seis de Paus é uma vitória pública, ao passo que o seis de Copas é uma cura privada, e ambos recolhem o que deixou a carta anterior. Vem imediatamente depois do cinco de Copas, onde uma pessoa estava de cabeça baixa diante das taças viradas. Essa sequência diz que o caminho a partir da perda passa com mais frequência pela suavidade antes de passar pela força. A seguir vem o sete de Copas, carta das visões e das muitas possibilidades, ou seja, a atenção regressa para fora assim que a segurança fica restabelecida. Aqui há um descanso nesse caminho e não o seu fim. O sete de Copas chega depois e devolve a atenção para fora. O seis de Paus é uma vitória pública, ao passo que aqui a cura permanece privada. O caminho a partir da perda passa com mais frequência pela suavidade antes da força.






