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Símbolos das cartas de tarot explicados

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De onde vêm os símbolos

O baralho que domina a prática atual foi desenhado em 1909 por Pamela Colman Smith segundo indicações de Arthur Edward Waite, e a maior parte dos símbolos que nele aparecem tem proveniência identificável. Alguns vêm da iconografia cristã medieval, outros do Egito tal como era imaginado no século XIX, outros ainda de sistemas alquímicos e astrológicos, e uma parte considerável foi acrescentada pela ordem inglesa a que ambos pertenciam. Conhecer essa proveniência evita dois erros opostos: tratar cada detalhe como sabedoria antiquíssima e descartar tudo como invenção arbitrária. A verdade é intermédia e mais interessante, porque o sistema é coerente ainda que recente. Waite pertenceu à Golden Dawn, fundada em 1888, e boa parte das correspondências que hoje circulam como antiquíssimas vem dessa fonte inglesa com pouco mais de um século. Saber isto não retira valor ao sistema e apenas o coloca na sua idade real. Os símbolos anteriores, esses, vêm da iconografia medieval e são bastante mais antigos.

As cores

As cores funcionam como camada rápida de leitura e resolvem muitas dúvidas antes de qualquer análise detalhada. O amarelo indica consciência, clareza e aquilo que está à vista, e domina cartas como o Sol. O azul indica interioridade, sentimento e o que corre por baixo, e cobre a Sacerdotisa e a Lua. O vermelho indica ação, vitalidade e disposição para se mostrar. O branco indica pureza de intenção e ausência de necessidade de prova. O cinzento aparece raramente e assinala o que ficou para trás ou o que não pertence ao movimento em curso. O verde, na base das imagens, indica crescimento já ocorrido. A ausência de cor também informa, e o fundo cinzento uniforme de certas cartas assinala situações despojadas de qualquer coloração emocional. O naipe de Espadas usa esse recurso com mais frequência do que os restantes. O amarelo, em contrapartida, domina o Sol e o Mundo.

Água, montanha e caminho

Três elementos de paisagem repetem-se em todo o baralho com sentido estável. A água representa o sentimento e o inconsciente, e a sua quantidade e agitação informam sobre o estado emocional da situação. A montanha representa o objetivo distante, o obstáculo que exige subida ou a perspetiva que só se obtém com altitude. O caminho, quando visível, indica que existe passagem e que ela é percorrível; quando ausente, indica que a direção ainda não está definida. Observar apenas estes três elementos numa tiragem inteira fornece já um enquadramento útil, e é um exercício recomendável para quem está a formar o olhar. Vale a pena percorrer o baralho inteiro anotando apenas onde há água, quanto há e se está agitada, porque essa única passagem organiza metade da compreensão do naipe de Copas. O mesmo exercício com montanhas revela onde o baralho coloca objetivos distantes. A montanha nevada aparece atrás do Louco e regressa no Julgamento, ligando o começo ao despertar final.

Animais

Os animais que aparecem no baralho carregam significados herdados de várias tradições. O cão junto ao Louco representa o instinto que acompanha, e a sua interpretação como aviso ou como companhia depende do contexto. O leão indica coragem e força solar, e surge na Força e nos tronos de várias figuras. A salamandra, associada ao fogo por lendas medievais que a descreviam a viver na chama, cobre as vestes do naipe de Paus. O peixe liga-se ao inconsciente e à intuição, e percorre o naipe de Copas. O gato preto da Rainha de Paus é o único da sua espécie no baralho. Os dois cães aos pés do ancião no Dez de Ouros indicam confiança estabelecida e não vigilância, distinção que o contexto da carta confirma. A ave que sobrevoa a Rainha de Espadas é única e assinala tanto liberdade como escassez de companhia. Já os pássaros do Oito de Bastos voam todos na mesma direção.

Flores e árvores

A vegetação nas cartas não é decorativa e tem leitura própria. As rosas indicam desejo e paixão, e as lírios indicam clareza de pensamento; ambas aparecem juntas no Mago e nos Enamorados, representando as duas forças que uma pessoa deve ordenar. Os girassóis indicam aquilo que se volta espontaneamente para a luz. As uvas indicam colheita e abundância acumulada ao longo do tempo. A árvore de frutos com a serpente enrolada, atrás da figura feminina nos Enamorados, remete diretamente para a narrativa do conhecimento e do seu preço. A árvore oposta, com folhas em forma de chama e doze delas ao todo, corresponde ao desejo e ao número dos signos do zodíaco. As duas árvores dos Enamorados formam assim um par que atravessa toda a leitura dessa carta. As uvas bordadas no manto do Rei de Ouros cobrem-lhe o corpo inteiro.

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Formas geométricas e números visuais

Certos elementos gráficos repetem-se e carregam informação. O símbolo do infinito aparece sobre a cabeça do Mago e da Força, ligando as duas cartas por uma energia que não se esgota. O quadrado indica estabilidade e ordem, e surge na coroa da Justiça e no peito do condutor da Carruagem. O triângulo dentro do quadrado, no peito da figura da Temperança, representa espírito conduzido para dentro de uma forma estável. A contagem de elementos também importa: as vinte e uma pétalas do Sol correspondem ao número de Arcanos Maiores numerados, e os vinte e dois pontos de luz da Torre correspondem ao total incluindo o Louco. Estas contagens são deliberadas e servem de confirmação quando uma leitura parece incerta, ainda que nunca devam ser o ponto de partida. Contar antes de observar inverte a ordem correta do trabalho. A observação vem sempre primeiro e a verificação simbólica depois.

Gestos e posturas

A posição do corpo nas cartas fornece informação que passa despercebida a quem lê apenas os objetos. Braços cruzados indicam fecho, e aparecem no Quatro de Copas e no Nove de Copas com sentidos diferentes conforme o contexto. Uma mão erguida com a palma aberta indica convite a falar, como na Rainha de Espadas. Uma figura de costas para quem observa indica que a atenção está dirigida a algo fora do quadro. Olhos vendados indicam recusa em ver e não incapacidade, distinção decisiva no Dois de Espadas e no Oito de Espadas, porque em ambos a venda foi colocada pela própria figura. Um detalhe ainda mais discreto é a direção do olhar, já que uma figura que olha para trás indica avaliação e uma que olha em frente indica decisão tomada. A dançarina do Mundo olha por cima do ombro, e esse gesto define o sentido da carta inteira. O mesmo vale para o Sete de Ouros, onde o olhar de lado indica avaliação.

Como usar os símbolos sem exagerar

Existe um excesso frequente que convém evitar. Nem todos os elementos de uma carta carregam significado, e procurar sentido em cada detalhe leva a interpretações rebuscadas que dizem mais sobre a imaginação de quem lê do que sobre a questão. Alguns elementos existem por razões de composição gráfica. O critério prático consiste em partir dos elementos que se repetem em várias cartas, porque a repetição é o indício de que o símbolo pertence ao sistema. Uma leitura sólida assenta em dois ou três símbolos claros e deixa o resto de lado, e essa contenção distingue a interpretação da fabulação. Um bom teste consiste em perguntar se o símbolo apareceria numa descrição feita a alguém que nunca viu a carta. Se não apareceria, provavelmente não pertence ao essencial. Duas ou três referências simbólicas bastam para sustentar uma leitura sólida.

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