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Três de Espadas: significado da carta de tarot

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Mensagens:


  • dor

  • verdade

  • perda

  • luto

  • enfrentamento

  • libertação

  • honestidade

  • início da cura

  • reconhecimento

  • despertar

  • golpe

  • expressão

  • pranto

  • tempo

  • aceitação

  • fim da dúvida

  • alívio

  • olhar a realidade

  • suavidade consigo

  • apoio

  • caminho

  • recuperação

  • sem negação

  • passagem

  • esclarecimento

Três espadas num coração

Um coração vermelho pende no vazio atravessado por três espadas que entram em ângulos distintos. Atrás há nuvens cinzentas e chuva a cair. Nesta carta não há terra e também não há pessoas. É uma das imagens mais simples do baralho: sem fundo, sem protagonistas e sem pormenores que distraiam o olhar. As três espadas passaram de lado a lado e não se detiveram a meio caminho. São três e não uma porque fere o acontecimento, fere o seu significado e fere o que agora haverá de fazer-se. O três de cada naipe produz o primeiro fruto tangível, e aqui esse fruto é uma verdade já pronunciada. A chuva cai sem interrupção, as nuvens são densas e a orla do céu não se vê. Nada aqui está escondido e nada está suavizado, e essa nudez constitui o próprio desenho da carta. Na correspondência astrológica atribui-se-lhe o segundo decanato de Balança e Saturno, ou seja, o limite e a realidade entram no signo que procura o acordo, e Saturno não acrescenta aqui crueldade mas retira a possibilidade de suavizar o ocorrido. O coração aparece desenhado de maneira convencional e não anatómica, de modo que se trata do sentimento e não do corpo. A chuva cai por baixo do coração e não dentro dele, já que o luto é uma consequência e não o próprio momento. A ausência de terra na imagem resulta deliberada.

O número três e a travessia

O três de cada naipe é o lugar onde o encontro de dois produz o primeiro fruto tangível. No naipe do ar esse fruto resulta ser uma verdade pronunciada que já não pode recolher-se. Precisamente por isso as espadas são três e não uma: fere o acontecimento, fere além disso o seu significado, e fere aquilo que agora haverá de fazer-se por causa dele. O coração está desenhado de maneira convencional e não anatómica, ou seja, trata-se do sentimento e não do corpo. A chuva cai por baixo do coração e não dentro dele, visto que o luto é uma consequência e não o próprio momento. A ausência de terra resulta deliberada, já que o chão sob os pés desaparece de verdade num momento assim. As três espadas passaram de lado a lado e não se detiveram a meio caminho.

Isto já aconteceu

Esta carta quase nunca anuncia alguma coisa e quase sempre fala do que já caiu. Caiu uma frase, soube-se uma verdade, confirmou-se uma suspeita. Precisamente por isso a resposta menos útil consiste em tentar reinterpretar o sucedido ou voltar sobre essa frase à procura de outra leitura. Também não ajuda a procura apressada de uma lição, já que isso costuma ser um rodeio à volta do próprio sentimento. O que sim ajuda nesta etapa é reconhecer que é verdade. O reconhecimento não reduz a dor e detém o gasto de forças num mesmo ponto, e essa paragem resulta já por si só uma mudança. A procura apressada de uma lição constitui nesta etapa um rodeio à volta do sentimento. Também não ajuda voltar sobre essa frase à procura de outra leitura possível. O que sim ajuda é reconhecer que é verdade.

A dor não é um problema a resolver

Perante um momento assim, a maioria lança-se a fazer algo que o detenha. Isso resulta compreensível e quase sempre inútil, visto que o luto não é um ponto de uma lista de tarefas. O que precisa é de tempo e lugar e não de um procedimento. Os atos adequados são simples: dizê-lo, escrevê-lo, mover o corpo, assegurar o sono e a comida, estar perto de alguém que não tenha pressa de o reparar. Aceita-se que chega em ondas e que depois dos dias bons se seguem dias duros sem causa alguma, e isso resulta completamente habitual. O que se salta não desaparece e regressa num momento pior, e fixar um prazo para o superar não funciona porque este processo não obedece a calendário. Nomear em voz alta o perdido pelo menos uma vez ajuda, já que o que não se nomeia não se deixa chorar. Ajuda além disso tudo o que acompanha o processo em vez de o acelerar: a conversa, o movimento e dormir o suficiente. Aceita-se que chega em ondas e que depois dos dias bons se seguem dias duros sem causa.

Saber é uma forma de alívio

Há aqui uma direção que resulta fácil de não notar. Junto à dor das espadas mistura-se muitas vezes um alívio estranho, visto que a incerteza por fim terminou. Permanecer numa dúvida prolongada constitui um desgaste contínuo, ao passo que saber fere mais e permite começar a elaborar. Muitos dizem depois que a sua época mais dura foram os meses anteriores a saberem. A quem agora sente dor e alívio ao mesmo tempo convém saber que aqui não há contradição alguma. A combinação de ambos indica que o assunto há muito estava por resolver, e esse sinal merece ler-se tal qual. Permanecer na dúvida desgasta sem descanso, ao passo que saber permite começar a elaborar. Muitos assinalam depois como a sua época mais dura os meses anteriores a saberem. A quem sente dor e alívio ao mesmo tempo convém saber que não há contradição alguma.

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Não reescrever a vida inteira

Nesta etapa aparece uma tendência custosa: interpretar o passado completo à luz do ocorrido. Uma relação termina mal e por isso se declara um erro inteira, produz-se uma traição e por isso se declaram indignas de confiança todas as pessoas. Isso dá à dor uma ordem temporária, e o preço consiste em riscar o que foi realmente autêntico. Separa-se a conta: que parte se estragou de verdade e que parte simplesmente deixou de continuar. Essa distinção devolve a uma pessoa a sua própria história e evita-lhe começar a confiar do zero. Três espadas atravessam um coração e não o céu inteiro. Um mau fim não anula retroativamente o que foi autêntico antes. Essa distinção evita além disso ter de começar a confiar do zero. Separa-se a conta: o que se estragou de verdade e o que simplesmente deixou de continuar.

As nuvens dissipam-se

A chuva e as nuvens são os únicos portadores do tempo nesta carta, e a sua natureza consiste em passar. Isso não é um consolo mas uma observação sobre o clima. A razão de o estado atual parecer permanente é que a dor comprime a perceção do tempo e torna inimaginável qualquer outra situação. Acreditar agora numa melhoria não faz falta, e sim faz falta saber que o juízo está afetado neste período e não serve para conclusões de longo alcance. Não se decidem nestes dias questões como que espécie de pessoa alguém é ou se ainda é capaz de confiar em alguém. As respostas a isso chegam meses depois e resultam distintas. A dor comprime a perceção do tempo e torna inimaginável qualquer outra situação. Não se decidem nestes dias questões de longo alcance sobre as pessoas. As respostas a isso chegam meses depois e resultam distintas.

Se não se dissiparem

Convém dizer alguma coisa com clareza. Uma dor intensa e breve resulta natural, ao passo que uma descida sustentada e prolongada é outra coisa. Se passarem as semanas e o sono e o apetite não regressarem, se nada despertar já interesse, se aparecer a sensação de que não há saída, isso excede o que esta carta descreve. Nesse caso falar com um médico ou com um profissional resulta um passo adequado e não um exagero, do mesmo modo que se recorre a um ortopedista perante uma fratura. Esta carta descreve um golpe real e não um diagnóstico. Distinguir ambas as coisas poupa uma quantidade considerável de autoacusação inútil. A diferença resulta tangível e não verbal. Esta carta descreve um golpe real e não um diagnóstico.

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