Valete de Copas: significado da carta de tarot

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Um peixe que assoma da taça
A estranheza desta imagem constitui o seu sentido. Um jovem está de pé na margem do mar com uma túnica azul decorada com flores e levanta com uma mão uma taça dourada. Da taça assoma um peixe que o olha. Ele também o olha, e a sua expressão não é de susto mas de surpresa com um matiz de divertimento. Na cabeça leva um turbante azul de linhas suaves, como atado com pressa. Atrás dele, o mar move-se com ondas baixas e inquietas. Em terra não há mais nada e não há ninguém a seu lado. Neste instante não sabe o que fazer com esse peixe, e isso é exatamente o que a carta descreve. Na correspondência de elementos é água em terra, ou seja, a primeira descida do sentimento a uma forma tangível, e por isso o seu espanto resulta ao mesmo tempo sincero e desajeitado. O mar de trás move-se enquanto ele permanece imóvel na margem. O peixe não foi pescado mas apareceu na taça por si próprio. Os peixes ligam-se tradicionalmente ao inconsciente e ao que ainda não se pronunciou.
De onde saiu esse peixe
Esse peixe carrega o peso inteiro da carta. Não foi pescado mas apareceu na taça por si próprio, ou seja, esse conteúdo não se procurava mas foi enviado. Os peixes ligam-se tradicionalmente ao inconsciente, à intuição e àquilo que ainda não se pronunciou, e por isso representa uma matéria que ascende de dentro. Ele levanta a taça em vez de a baixar, o que significa disposição para olhar, e isso distingue-se do impulso habitual de a tapar. O turbante suave indica que nesta etapa não fazem falta nem um título nem a sua aparência. O mar de trás é o sentimento no seu conjunto, e ele está na margem, ou seja, numa fronteira a partir da qual resulta possível lidar com ele. A sua juventude significa que tudo isto é novo. O valete constitui na ordem das figuras a forma menor do elemento, e por isso aporta frescura e não destreza. Nas cartas numéricas corresponde-lhe o ás deste naipe como abertura pura, ao passo que aqui essa abertura recai sobre uma pessoa concreta. O turbante suave indica além disso que nesta etapa não fazem falta nem um título nem a sua aparência.

O que aparece de repente
Um sentimento ou um pressentimento surge agora sem aviso prévio. Pode tratar-se de um pensamento que se repete, de uma reação forte a algo menor, de um sonho ou de uma impressão sobre uma pessoa sem fundamento algum. O impulso será afastá-lo para baixo, já que não encaixa na agenda do dia. Esta carta propõe o contrário: olhá-lo primeiro. Não faz falta interpretá-lo de imediato nem agir em consequência, e sim faz falta reconhecer o seu aparecimento. Anotá-lo resulta o recurso mais eficaz, visto que transforma algo difuso em algo observável. Esse material descobre os seus próprios padrões depois de umas semanas de levar semelhantes notas, e por isso convém registar o sentido e não o pensado. Interpretá-lo de imediato fecha o que acaba de aparecer. O material descobre os seus próprios padrões ao fim de umas semanas de o anotar.
Permissão para resultar desajeitado
O valete é a figura menor deste naipe, ou seja, aporta novidade e não mestria. A quem começou há pouco algo relacionado com o sentimento, com a expressão ou com a criação, esta carta comunica que lhe é permitido ser mau nisso. O primeiro que se escrever resultará feio, a primeira tentativa de dizer o que se sente sairá torta, o primeiro desenho não se parecerá com nada. Esse desconforto constitui uma etapa e não uma sentença. As primeiras semanas atravessam-se sem mais, visto que é justamente aqui que a maioria se detém e o atribui a falta de talento. O principiante possui além disso outra vantagem, já que ainda não decidiu o que resulta impossível e por isso coloca perguntas que os peritos deixaram de fazer. O desconforto das primeiras semanas pertence à etapa e não às capacidades. É justamente aí que a maioria se detém e o atribui a falta de talento. O principiante aprende além disso mais depressa porque ainda não decidiu o que é impossível.
A primeira tentativa no terreno do sentimento
Esta carta descreve muitas vezes uma etapa muito precoce de uma relação: uma aproximação hesitante, uma confissão sem segurança alguma ou um convite cuja resposta se desconhece. O traço distintivo é que contém mais sinceridade do que técnica. O êxito de tais movimentos não depende da elegância da sua construção mas da sua autenticidade. Não se espera por dispor da capacidade de o dizer de maneira impecável, visto que esse momento não chega. Aceita-se a possibilidade de não haver resposta, já que essa informação também tem valor. A posição do valete consiste em levantar a taça e não em a colocar na mão de outro, e esse equilíbrio resulta essencial. A ausência de resposta constitui também uma informação. Não se espera por dispor da capacidade de o dizer de maneira impecável.
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A criação começa aqui
Com o começo do trabalho criativo esta figura guarda um vínculo estreito, e a sua mecânica resulta concreta. As ideias não se constroem mas emergem, exatamente como esse peixe. Prepara-se-lhes um recipiente onde possam cair: um caderno no bolso, uma nota no telemóvel ou dez minutos fixos. A maior parte dos bons começos morre nos minutos em que não se anotaram. Primeiro recolhe-se e depois filtra-se, e separar essas duas tarefas aumenta a eficácia. Nesta etapa não se julgam, visto que tudo o que acaba de aparecer parece insuficiente. Primeiro recolhe-se e depois filtra-se, e separar essas duas tarefas aumenta a eficácia de maneira notável. O valete da imagem limita-se a olhar o peixe e ainda não decidiu o que fazer com ele, e isso constitui já por si só um passo completo. A maior parte dos bons começos morre nos minutos em que não se anotaram.
O ponto fraco desta figura
Há aqui um defeito que convém nomear. O valete é bom a começar e fraco a continuar, já que a frescura do começo não se sustenta por si só. No terreno do sentimento isso manifesta-se como um impulso curto e intenso seguido de uma retirada sem motivo claro. Ocorre tanto nas relações como no trabalho criativo. A quem se reconhecer nesta descrição convém montar um dispositivo enquanto o calor ainda dura: um tempo fixo na semana, uma pessoa que saiba do assunto e uma meta pequena que com certeza se alcançará. O contacto sustentado supera a força, e no naipe da água isso resulta mais verdadeiro do que em nenhum outro. Um tempo fixo na semana funciona melhor do que qualquer promessa. O que faz falta aqui não é seriedade mas um lugar onde esse peixe possa sustentar-se. O que faz falta aqui não é seriedade mas um lugar onde esse peixe possa sustentar-se.
Quem se parece com este valete
No meio esta figura assinala muitas vezes alguém sensível, com uma intuição precisa, fácil de magoar, sincero ao exprimir-se e inconstante. Com mais frequência é jovem ou novo no seu campo. Trará uma notícia, um convite ou uma confissão inesperada. Ao lidar com essa pessoa merece mais atenção a sua sinceridade do que a sua fiabilidade, e ambas as coisas não se contradizem. A quem couber esta descrição convém saber que semelhante sensibilidade constitui um recurso real, sobretudo nos lugares onde a maioria fechou esse lado de si própria. Cuida-se dela e dá-se-lhe uma forma capaz de durar. A seguir chega o cavaleiro, onde esse mesmo sentimento adquire movimento e direção. Semelhante sensibilidade resulta um recurso onde a maioria fechou esse lado de si própria. A seguir chega o cavaleiro, onde esse mesmo sentimento adquire movimento.






